Dólar fecha abaixo de R$ 5 e Ibovespa sobe antes do 2º turno; petróleo avança

Destaques
- •O dólar à vista encerrou o pregão em R$ 4,993, com investidores ajustando posições antes do segundo turno das eleições presidenciais.
- •O Ibovespa subiu 0,47%, impulsionado por ações de petroleiras e mineradoras, acompanhando a valorização do petróleo e do minério de ferro.
- •Tensões no Oriente Médio impulsionaram o preço do petróleo Brent para o maior patamar desde abril, fechando a US$ 116,72.
O dólar comercial fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em semanas, cotado a R$ 4,993, com uma queda de 0,92% na sexta-feira (23). O movimento ocorreu no último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, com investidores ajustando posições diante das expectativas para o resultado da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A moeda brasileira apresentou o melhor desempenho entre as principais divisas globais, mesmo com a valorização do dólar no exterior.
O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 0,47%, a 205.082,56 pontos. Apesar do avanço na sexta-feira, o índice acumulou queda de 0,17% na semana, marcada pela cautela dos investidores com a eleição. No acumulado de outubro, a bolsa registra valorização de 10,06%. A sessão também foi marcada pela alta de ações de petroleiras e mineradoras, acompanhando a valorização do petróleo e do minério de ferro.
Petróleo em alta com tensões geopolíticas
Os contratos futuros do petróleo fecharam em forte alta, impulsionados pelo aumento das tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent alcançou o maior nível desde abril, em meio a temores de novos confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e de possíveis interrupções no fornecimento global. O petróleo Brent para dezembro subiu 3,13%, encerrando a US$ 116,72 por barril, enquanto o WTI subiu 3,82%, a US$ 103,27.
A alta foi sustentada pelo risco de agravamento dos conflitos na região. O Irã advertiu que poderá responder a eventuais novos ataques dos Estados Unidos e de Israel com ofensivas contra bases militares e navios de guerra. Paralelamente, confrontos envolvendo os houthis e a Arábia Saudita aumentaram as preocupações com a segurança regional. Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia autorizou medidas envolvendo a Reserva Estratégica de Petróleo para ajudar a estabilizar o abastecimento de combustíveis.
Ações em destaque e balanços corporativos
No mercado doméstico, a CSN ON liderou os ganhos no Ibovespa, com salto de 12,41%, impulsionada por notícias sobre negociações de venda da CSN Cimentos, com expectativa de oferta próxima de R$ 15 bilhões. O endividamento elevado da companhia torna o desinvestimento uma medida bem vista por investidores. O setor de cimento tem sido impactado pela demanda fraca na China e pela queda do minério de ferro.
Petrobras PN avançou 1,47%, apoiada pela alta do petróleo. Vale ON valorizou-se 0,67%, em recuperação após quedas anteriores, com apoio da alta dos futuros do minério de ferro na China. Embraer ON subiu 0,91%, após divulgar que sua carteira de pedidos consolidada atingiu US$ 35,7 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 14% na comparação anual.
Entre os bancos, Bradesco PN subiu 0,74% após divulgar lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, alta de 14,6%. Itaú Unibanco PN subiu 0,63% e Banco do Brasil ON, 3,34%. Santander Brasil Unit caiu 0,79%. O setor bancário também aguarda balanços, como o do Santander Brasil na próxima semana.
Cenário eleitoral e expectativas futuras
A proximidade do segundo turno das eleições presidenciais gerou volatilidade no mercado. Pesquisas divulgadas na véspera do fechamento mostravam um cenário acirrado, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em empate técnico, segundo diferentes levantamentos. A expectativa entre agentes financeiros é de forte volatilidade na bolsa na segunda-feira, independentemente do resultado.
O mercado internacional também influenciou o pregão, com bolsas americanas e europeias fechando em baixa, pressionadas pelo setor de tecnologia e pelo aumento dos rendimentos de títulos. A inflação oficial prévia (IPCA-15) subiu 0,32% em outubro, desacelerando em relação a setembro, mas acumulando alta de 4,15% no ano.
Matérias originais
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