Documentário "Making Marie Antoinette" revela bastidores do filme de Sofia Coppola

Destaques
- •Novo documentário, "Making Marie Antoinette", traz imagens inéditas e reflexões de Eleanor Coppola sobre a gravação do filme da filha em Versalhes.
- •O filme, que estreia na Mubi nesta sexta-feira (6), é composto por filmagens de Eleanor, narrações de seu diário e entrevistas, oferecendo um olhar íntimo sobre o processo criativo e a dinâmica familiar.
- •A obra explora não apenas os bastidores de uma produção cinematográfica ambiciosa, mas também as relações entre mãe e filha, e a perspectiva feminina em um ambiente de trabalho predominantemente masculino.
Vinte anos após o lançamento de “Maria Antonieta”, cinebiografia da rainha da França dirigida por Sofia Coppola, um novo documentário promete revelar os bastidores da ambiciosa produção. Intitulado “Making Marie Antoinette”, o filme chega ao catálogo da Mubi nesta sexta-feira (6) e é fruto das gravações realizadas pela documentarista Eleanor Coppola, mãe da diretora, durante os 57 dias de filmagens no Palácio de Versalhes.
O projeto, que conta com a edição de Aaron Matthews e produção de Sofia Coppola, utiliza o material registrado por Eleanor, complementado por narrações de seu diário e entrevistas feitas no set. O resultado é uma narrativa profundamente pessoal e autoral, que oferece um olhar íntimo sobre o processo criativo, os desafios da produção e a relação entre mãe e filha.
O olhar materno sobre a produção
Eleanor Coppola, que acompanhou a gravação do filme de sua filha, registrou os detalhes do projeto com uma câmera na mão, adotando um olhar curioso, íntimo e materno. Em suas escritas, Eleanor reflete sobre a grandeza de Sofia, os desafios enfrentados e a sensibilidade da filha, destacando o caminho que ela decidiu seguir e seu lugar em uma produção tão grandiosa.
Sofia Coppola descreveu a presença de sua mãe no set como serena e encantadora, mesmo em meio à sobrecarga de uma produção ambiciosa. “Foi maravilhoso tê-la no set. Eu estava sobrecarregada com uma produção ambiciosa, mas fiquei muito feliz com sua presença serena e com o encantamento que ela demonstrava diante da beleza visual”, disse Sofia.
A documentarista também observou como os sets de filmagem eram dominados por homens na época. Sofia, por sua vez, expressou que o documentário a permitiu ver partes que ainda não conhecia e a fez refletir sobre sua própria insegurança como diretora jovem. “Espero que quem aprecia o filme consiga sentir como era estar naquele set e o que significava defender um ponto de vista feminino em uma época em que isso não era comum“, escreveu Sofia.
Um legado familiar no cinema
Casada por mais de 60 anos com Francis Ford Coppola, Eleanor Coppola dedicou parte de sua carreira a acompanhar o marido e a família, registrando os bastidores de diversos filmes, incluindo o polêmico épico de guerra “Apocalypse Now”, que lhe rendeu um Emmy e um prêmio do Directors Guild Awards com o documentário “Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse”.
“Maria Antonieta” foi o terceiro longa dirigido por Sofia Coppola e o primeiro após ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Original por “Encontros e Desencontros” (2003) e se divorciar de Spike Jonze. Eleanor exalta o olhar sensível e a firmeza da filha, demonstrando cuidado e admiração. A sensibilidade de Sofia parece ter sido herança da própria mãe, que demonstrava atenção especial às conversas particulares e aos mais de 150 figurinos desenhados por Milena Canonero.
O círculo familiar de Sofia Coppola também esteve presente no set. Seu primo, Jason Schwartzman, interpretou o rei Louis XVI, e seu irmão, Roman Coppola, atuou como segundo diretor. A atriz Kirsten Dunst, que interpretou Maria Antonieta, considera Eleanor uma irmã mais velha e já trabalhou com Sofia em outros projetos. A sobrinha Gia Coppola aparece como figurante, e o pai, Francis Ford Coppola, visitou o set.
Uma carta de amor entre mãe e filha
O documentário “Making Marie Antoinette” é descrito como uma carta de amor de mãe para filha, mas também uma carta de amor de Sofia a Eleanor. A crítica e pesquisadora sobre cinema feminino Paula Jacob destacou essa dualidade em uma exibição especial do filme.
Ao finalizar este projeto após a morte de sua mãe em abril de 2024, Sofia Coppola presta uma homenagem à mulher que a ensinou sobre beleza, arte, e como ser real e forte à sua maneira. O filme convida o público a revisitar o set de Versalhes através do olhar afetuoso de Eleanor, celebrando o legado de uma cineasta e o vínculo inquebrável entre mãe e filha.
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