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Doar leite materno não afeta a saúde óssea da mãe, aponta estudo

01 de novembro de 2026
Doar leite materno não afeta a saúde óssea da mãe, aponta estudo

Destaques

  • •Pesquisa da Unesp comparou mulheres que amamentam seus bebês com doadoras de leite para bancos
  • •Não houve diferença significativa na perda de massa óssea entre os grupos, mesmo com doações expressivas
  • •Estudo sugere que a perda óssea durante a amamentação é transitória e a doação não a agrava

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu investigou se o volume de leite materno produzido por mulheres que doam para bancos de leite humano impacta negativamente a saúde óssea, em comparação com aquelas que amamentam apenas seus próprios bebês. Os resultados, publicados no Jornal de Pediatria, indicam que doar leite materno não agrava a perda de massa óssea e que o acometimento é o mesmo para ambos os grupos.

A professora Tamara Beres Lederer Goldberg, coordenadora do estudo, explicou que a expectativa era de que a produção de um volume maior de leite resultasse em maior perda óssea, mas os dados mostraram o contrário. "O acometimento é o mesmo", afirmou. A pesquisa acompanhou 77 nutrizes (mulheres que produzem leite) entre julho de 2020 e março de 2023. Dessas, 38 alimentavam apenas seus bebês e 39 doavam leite excedente.

Perda óssea é transitória e não agravada pela doação

O estudo selecionou mulheres entre 18 e 38 anos, grávidas pela primeira vez, com gestação de risco habitual e bebês a termo. Foram excluídas mulheres com doenças que afetam o metabolismo ósseo ou com obesidade. Todas foram avaliadas quanto ao índice de massa corporal (IMC), densidade mineral óssea (coluna lombar, fêmur e corpo inteiro) e exames de sangue para dosar cálcio, fósforo, vitamina D, estradiol, hormônio da paratireoide e marcadores de remodelação óssea. O volume de leite doado também foi medido.

Seis meses após o parto, os resultados de massa óssea dos dois grupos foram comparados e se mostraram iguais. "Não havia nada na literatura que investigasse os efeitos sobre a saúde e as condições ósseas das doadoras de leite materno", comentou Tamara. "Raciocinamos que o fato de esse grupo de mães, em um período de seis meses, ter doado grandes quantidades de leite além do que já seria destinado à amamentação do bebê deveria impactar a perda de massa óssea. Mas não é isso que ocorre", completou, surpresa com o achado.

Entre seis e 12 meses após o parto, período em que o aleitamento já era complementado, os valores de densidade mineral óssea da coluna lombar e do fêmur das doadoras aumentaram 5% e 1,5%, respectivamente, indicando um processo de regeneração. Biomarcadores como o CTX (indicador de degradação do colágeno ósseo) apresentaram redução, sugerindo diminuição da atividade de remodelação óssea.

Suplementação de cálcio e vitamina D é ponto de atenção

Apesar de a doação de leite não agravar a saúde óssea, a pesquisa alertou para a baixa ingestão de cálcio por meio da alimentação entre as mulheres acompanhadas. Muitas não receberam suplementação de cálcio ou vitamina D durante a gravidez. "No SUS, oferece-se apenas suplementação de ácido fólico. Nada de cálcio e vitamina D", apontou Tamara. Ela ressaltou que, mesmo em serviços privados, não há garantia de que a quantidade suplementada seja suficiente, pois não são feitos exames para dosagem.

A perda de massa óssea durante o aleitamento materno exclusivo, embora transitória, pode ser mais significativa (3% a 10% nos primeiros quatro meses) do que em mulheres na menopausa. Por isso, a qualidade óssea deve ser uma preocupação antes mesmo da gestação. A pesquisadora enfatizou a importância do suporte e orientação para as nutrizes, garantindo que recebam o cálcio necessário para a amamentação, que é um processo social.

Novos estudos podem direcionar políticas públicas

Os resultados da pesquisa abrem caminhos para novas investigações. Atualmente, a Unesp coordena um estudo sobre a perda de massa óssea durante a gestação em mulheres atendidas pelo SUS, visando mapear os períodos mais críticos e direcionar políticas públicas. Outras frentes de interesse incluem o impacto de múltiplas gestações, gestantes obesas e possíveis diferenças entre mulheres brancas e pretas.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de aleitamento exclusivo até os seis meses e complementado até os dois anos ou mais permanece inalterada. O estudo serve como um alerta para ginecologistas e pediatras sobre a necessidade de amparar as nutrizes para que a amamentação seja bem-sucedida e a saúde óssea da mãe seja preservada.

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