Dívida externa de países pobres atinge recorde e juros sobem a níveis de 1989

Destaques
- •Dívida externa de países de baixa e média renda bateu recorde de US$ 9,4 trilhões em 2025, com aumento de 5,5%.
- •Países em desenvolvimento pagam juros médios de 8,2% a credores privados, a maior taxa desde 1989, ameaçando investimentos essenciais.
- •Banco Mundial alerta para riscos de menor investimento, oportunidades e maior vulnerabilidade a choques em nações em desenvolvimento.
A dívida externa de países de baixa e média renda atingiu um recorde de US$ 9,4 trilhões em 2025, um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior. O dado, divulgado pelo Banco Mundial nesta quinta-feira (data), é o maior salto anual desde 2021 e levanta preocupações sobre a sustentabilidade dos termos e a destinação do capital.
O relatório anual sobre Dívida Internacional do Banco Mundial aponta que o endividamento crescente ameaça prejudicar investimentos cruciais em áreas como educação, infraestrutura, saúde e geração de empregos. A instituição financeira sediada em Washington destacou que, embora o acesso ao financiamento internacional tenha melhorado, os países em desenvolvimento mais pobres estão arcando com custos mais elevados.
Juros disparam e superam patamares de 1989
Países em desenvolvimento pagam, em média, 8,2% de juros sobre novos empréstimos de credores privados, a taxa mais alta registrada desde 1989. Para novos títulos, a taxa média é de 9,4%. Em contrapartida, países que não se qualificam para empréstimos com juros baixos ou zero pagam, em média, 5,5% sobre novos títulos, uma leve queda em relação a 2024.
Autoridades do Banco Mundial e de outras instituições financeiras internacionais têm emitido alertas sobre os altos níveis de endividamento e o impacto adverso das taxas de juros elevadas sobre as economias emergentes. O relatório indica que os empréstimos de credores privados e as emissões de títulos por entidades públicas nesses países aumentaram quase 35%, alcançando US$ 251 bilhões, o maior volume em cinco anos.
Impacto no desenvolvimento e desvalorização do dólar
A dívida externa cresceu mais rapidamente entre os países elegíveis à Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), subindo 8,1% para US$ 1,3 trilhão em 2025. O estatístico-chefe do Banco Mundial, Haishan Fu, ressaltou que, embora o retorno dos empréstimos privados seja bem-vindo, esses países estão se endividando mais, pagando mais e, em muitos casos, destinando menos recursos para o desenvolvimento de longo prazo.
Muitos governos emitiram novos títulos para recomprar dívidas vencidas, estendendo prazos de pagamento, muitas vezes com juros mais altos e sem reduzir significativamente os saldos. A demanda por esses títulos continua alta, apesar dos custos elevados. Os países de baixa e média renda pagaram US$ 1,4 trilhão em principal e juros em 2025, impulsionado por um aumento de 13,7% nos pagamentos a credores privados.
Outro fator relevante foi a desvalorização do dólar, que elevou o valor em dólares da dívida denominada em outras moedas. A desvalorização cambial foi responsável por mais de 28% do aumento da dívida dos países em desenvolvimento. O relatório alerta que custos mais elevados com o serviço da dívida podem resultar em menor investimento, menos oportunidades e maior vulnerabilidade a choques.
O que diz a pesquisa
O Relatório Anual sobre a Dívida Internacional (IDR) de 2026, publicado pelo Banco Mundial, analisa as tendências da dívida externa de países de baixa e média renda (LMICs) entre 2015 e 2025. O estudo destaca o aumento recorde da dívida externa para US$ 9,4 trilhões em 2025, o maior salto anual desde 2021. O relatório também aponta que esses países estão pagando juros médios de 8,2% sobre novos empréstimos de credores privados, a taxa mais alta desde 1989, e 9,4% sobre novos títulos. A publicação enfatiza a importância da transparência nos acordos de dívida e o fortalecimento de padrões para melhor compreensão da exposição total de um país ao endividamento.
Pesquisa citada
- International Debt Report 2026
World Bank · 2026



