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Diretor de TI do BTG compara IA e corrida: velocidade sem direção leva a erros

30 de outubro de 2026
Diretor de TI do BTG compara IA e corrida: velocidade sem direção leva a erros

Destaques

  • •Executivo do BTG Pactual alerta que pressa em implementar IA sem estratégia clara pode levar a abandono de projetos e desperdício de recursos.
  • •Dados de mercado indicam que 63% das empresas não sabem se seus dados estão prontos para IA, e 38% das falhas em infraestrutura estão ligadas a dados ruins.
  • •A palestra ressalta a importância da direção estratégica e da equipe, comparando o sucesso em corridas de automobilismo com a implementação de tecnologia nas empresas.

O mundo acelerou, e com ele, a velocidade de tudo, inclusive dos erros. Essa foi a constatação do diretor de tecnologia do BTG Pactual e piloto da Mercedes-AMG Cup Brasil, Gerson Júnior, em palestra no IT Forum Na Mata HPE. Ele comparou os desafios da implementação de Inteligência Artificial (IA) nas empresas com a dinâmica das corridas de automobilismo, onde a velocidade sem direção clara pode levar a resultados negativos.

Gerson Júnior, com passagens pelo Walmart e Magalu, destacou que a pressa em experimentar com IA generativa é um dos principais motivos para o abandono de projetos. Segundo levantamento do Gartner citado por ele, metade dos projetos de IA generativa são abandonados após a prova de conceito, devido a dados inadequados, premissas falhas ou automação de processos desnecessários. Ele resumiu o fenômeno com um trocadilho: muitos pilotos e pouco impacto.

A importância da estratégia e dos dados

A régua para a experimentação, segundo o executivo, deve ser a resolução de problemas. Antes de iniciar um projeto, é fundamental responder à pergunta: que dor isso resolve? Ele enfatizou que, em época de orçamento, justificar gastos com tokens de IA sem um problema concreto a ser resolvido será difícil.

O dado é outro eixo crucial. Estudos do Gartner indicam que apenas 4% das empresas se consideram preparadas para IA em relação aos dados, e 63% não sabem se possuem dados prontos. Além disso, 38% das falhas em infraestrutura e operações estão ligadas a dados ruins ou indisponíveis. No BTG, a regra é clara: alertas que não geram ação em dois dias são desligados.

Lições das pistas para o mundo corporativo

Na pista, a lógica é semelhante. O carro de corrida monitora dezenas de parâmetros, mas o foco está em sinais essenciais para andar mais rápido. Gerson Júnior relatou experiências em que pequenos problemas, como um sensor de temperatura quebrado ou um fusível de R$ 2, comprometeram o desempenho e o resultado de corridas. A lição é recortar o escopo e preferir projetos menores com dados integrados.

Em contraste, a Fórmula 1, com centenas de sensores e bilhões de simulações, chega à pista com um acerto próximo do ideal, transformando dados em competitividade. Para quem cuida de infraestrutura de TI, o reconhecimento é raro, comparado à água do chuveiro: só se nota quando falta. Segundo o Gartner, 45% dos investimentos em IA vão para infraestrutura, mas apenas 28% dos projetos de IA em infraestrutura atingem o retorno esperado.

O fator humano na era da IA

A palestra também abordou o impacto da IA nas pessoas. Pesquisa da Microsoft aponta que 80% dos profissionais não têm tempo ou energia para produzir mais, enquanto líderes planejam ampliar equipes com agentes digitais. Gerson Júnior alertou contra a tentação de cortar pessoal, citando a previsão do Gartner de que 30% dos profissionais substituídos por IA serão recontratados até 2029. A pessoa traz contexto e história, e medir o benefício da IA apenas pelo corte de custos não é o melhor caminho.

O executivo também discutiu o efeito da IA no aprendizado, citando um estudo do MIT onde quem usou IA para escrever textos lembrou menos do conteúdo. Delegar tarefas pode empobrecer o aprendizado, enquanto usar a IA como tutor pode acelerá-lo. Ele provocou a plateia a pensar em como lidar com quem pensa diferente, questionando se a alternativa seria contratar apenas os mais velhos, e lembrou que dinheiro sozinho já não motiva todos os profissionais.

A conclusão foi que a IA é uma ferramenta, e a estratégia principal de uma empresa não deve ser a IA em si, mas sim como usá-la para acelerar objetivos. Assim como na corrida, onde a vitória depende de máquina, dados, equipe, estratégia e piloto, o sucesso empresarial requer tecnologia, dados, infraestrutura, gente e liderança. A velocidade não basta; é preciso direção para transformar tecnologia em vantagem competitiva.

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