Dificuldade de Crédito Impede Compra de Celulares por 7 em 10 Brasileiros de Baixa Renda

Destaques
- •Pesquisa revela que a falta de acesso a crédito ou impossibilidade de pagamento à vista impede a compra de celulares para 70% dos brasileiros das classes C, D e E.
- •Juros altos, parcelas incompatíveis com o orçamento e o receio de endividamento são as principais barreiras apontadas pelos consumidores.
- •Modelos de financiamento inovadores, que utilizam o próprio celular como garantia, surgem como alternativa para expandir o acesso a serviços financeiros.
Sete em cada dez brasileiros das classes C, D e E já deixaram de comprar um celular por não conseguir pagar à vista ou obter crédito. Além disso, 60% relataram ter tido crédito negado, o que os impediu de adquirir produtos ou serviços essenciais. A pesquisa, realizada pelo Instituto Locomotiva entre abril e maio de 2026 com 1.000 pessoas, destaca a dificuldade de acesso a bens de consumo para a população de menor renda no Brasil.
A dificuldade de aquisição de um aparelho celular foi mais acentuada entre os participantes das classes D e E, com 79% relatando desistência da compra por falta de dinheiro ou crédito. Na classe C, esse índice foi de 68%. Os juros elevados figuram como uma das principais barreiras ao financiamento, sendo citados por metade dos entrevistados que evitam ou não contratam esse tipo de crédito. Para 41% dos participantes, as parcelas não se encaixam no orçamento mensal; 38% expressam receio de se endividar; e 24% temem as consequências de atrasar pagamentos, como a incidência de juros e multas.
O celular como ferramenta essencial
Para os entrevistados, o celular transcende as funções básicas de comunicação e entretenimento. O aparelho é fundamental para manter contato com a família (75%), acessar serviços bancários e realizar pagamentos (69%), e para o trabalho ou geração de renda (60%).
A pesquisa aponta um forte consenso sobre a importância do celular para a vida profissional: 86% concordam, total ou parcialmente, que o acesso ao aparelho contribui para o trabalho e o aumento da renda. Adicionalmente, 60% consideram o celular importante para acessar serviços como aplicativos de saúde e compras; 41% o utilizam para estudar; e 28% para buscar emprego.
Novos modelos de financiamento
Diante do cenário de dificuldades, a pesquisa explorou diferentes modelos de financiamento. Em uma comparação, 71% dos entrevistados preferiram parcelas fixas e a possibilidade de restrição temporária de funções do celular em caso de atraso, sem a cobrança de juros ou multa. Os 29% restantes optaram pelo modelo tradicional, sem restrição do aparelho, mas com a incidência de juros e multa por atraso.
Em outra simulação hipotética, 68% dos participantes escolheram uma modalidade onde o pagamento de uma parcela em atraso não impede o uso normal das funcionalidades do aparelho. A PayJoy, empresa que encomendou o estudo, oferece um modelo inovador onde o smartphone financiado atua como garantia, por meio de um software que permite a restrição temporária de suas funções em caso de inadimplência. A empresa assume o risco de inadimplência e a cobrança, enquanto o varejista recebe o valor financiado integralmente após a venda.
“Ao utilizar o smartphone como garantia, nossa tecnologia de restrição de funcionalidades temporária nos ajuda a oferecer crédito a pessoas com acesso limitado aos serviços financeiros tradicionais. Essa abordagem permite gerenciar o risco da operação, e ajudar os clientes a construir um histórico de crédito positivo”, afirma Wagner Mendonça, country manager da PayJoy no Brasil.
As respostas indicam uma clara preferência dos consumidores por condições de pagamento mais previsíveis e menos onerosas. No entanto, é importante notar que a pesquisa apresentou modelos hipotéticos, e os resultados não quantificam quantos consumidores efetivamente contratariam cada modalidade nem medem seu impacto real nas vendas do varejo.


