Dexco tem prejuízo de R$ 142 milhões no 3º trimestre com itens não recorrentes

Destaques
- •Dexco registra prejuízo líquido de R$ 142 milhões no 3º trimestre de 2026, revertendo lucro anterior.
- •Resultado foi impactado por R$ 136,7 milhões em itens não recorrentes, como reestruturação de operações.
- •Companhia busca reduzir alavancagem e foca em produtos premium após enxugamento de fábricas.
A Dexco (DXCO3), dona das marcas Deca, Hidra e Portinari, registrou um prejuízo líquido de R$ 142 milhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado representa uma reversão significativa em relação ao lucro líquido de R$ 14,2 milhões obtido no mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o prejuízo líquido atingiu R$ 55,4 milhões, contrastando com o lucro de R$ 111,3 milhões do ano anterior.
O balanço da companhia foi afetado por itens não recorrentes, totalizando R$ 136,7 milhões, sem impacto direto no caixa. Deste montante, R$ 118,4 milhões referem-se à reestruturação e fechamento de operações, e R$ 11,8 milhões à marcação a valor justo de investimentos da DX Ventures. Além disso, houve um aumento nas despesas com juros da dívida e uma provisão para perda de crédito de R$ 20,5 milhões relacionada à Bartira, empresa de móveis em recuperação judicial.
Reestruturação e foco em produtos premium
A Dexco encerrou um ciclo de ajuste de capacidade e mudança de estratégia, com o fechamento ou venda de cinco fábricas nos últimos anos. Essa reestruturação foi necessária para adequar a estrutura da empresa a um mercado com menor demanda por materiais de construção e alta competição, especialmente nos produtos de entrada.
O presidente da companhia, Raul Guaragna, destacou que o negócio está bem ajustado estruturalmente, embora o mercado seja dinâmico. A empresa decidiu focar em produtos premium, de maior qualidade e preço, pois a margem de lucro nos produtos de entrada é baixa e insuficiente diante da estrutura de custos e da qualidade imposta pela Dexco.
Como consequência, as vendas totais diminuíram, pois o mercado endereçável se reduziu. No entanto, a margem das vendas melhorou graças à estrutura de custo mais enxuta. O segmento de louças sanitárias, por exemplo, reduziu de cinco para uma fábrica, concentrando a produção em Jundiaí (SP).
Resultados operacionais e financeiros
Sem considerar o efeito negativo dos itens não recorrentes, o prejuízo líquido recorrente da Dexco foi de R$ 5,5 milhões, uma redução de 87,1% na comparação anual. No acumulado do ano, o lucro líquido recorrente cresceu 41,2%, para R$ 100,2 milhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 11,4% no trimestre, para R$ 420,7 milhões. Contudo, o Ebitda ajustado e recorrente subiu 31,6%, atingindo R$ 585,4 milhões, com a margem avançando 4,2 pontos percentuais para 25,1%. A receita líquida cresceu 9,8%, totalizando R$ 2,33 bilhões, impulsionada pela Divisão Madeira.
A joint venture LD Celulose gerou um ganho de R$ 2,2 milhões no trimestre, um aumento de 57,6% em relação ao ano anterior, beneficiada pela melhora nos preços internacionais da celulose.
Dívida e fluxo de caixa
A dívida líquida da Dexco atingiu R$ 4,78 bilhões no terceiro trimestre, uma queda de 6,9% em relação ao segundo trimestre. A alavancagem ficou em 2,36 vezes, abaixo das 2,72 vezes registradas no mesmo período de 2025. A redução da dívida foi sustentada pela geração de caixa operacional e pela entrada de recursos da venda da planta de Urussanga.
O fluxo de caixa livre total foi de R$ 636 milhões, um salto em relação aos R$ 121 milhões do segundo trimestre. Isso ocorreu devido à redução de estoques, menor investimento em novos projetos e pelo recebimento de R$ 153 milhões da venda da planta de Urussanga.
Para as próximas etapas, a Dexco buscará reduzir ainda mais a alavancagem financeira, com o objetivo de ficar abaixo de 2 vezes, embora sem prazo definido. A estratégia se apoiará na geração de caixa livre para abater o valor total da dívida bruta e reduzir as despesas com juros.


