Descoberta ameba que vive e se reproduz em temperaturas recordes de até 63°C

Destaques
- •Uma nova espécie de ameba, apelidada de 'ameba de fogo', foi descoberta em águas termais nos EUA.
- •O organismo eucarionte estabelece um novo limite superior de temperatura para a vida complexa, reproduzindo-se a 63°C.
- •A descoberta desafia paradigmas científicos sobre os limites da vida e abre novas frentes de estudo sobre adaptação a ambientes extremos.
Cientistas da Universidade de Syracuse, nos EUA, descobriram uma nova espécie de ameba capaz de se reproduzir em temperaturas de até 63°C, quebrando o recorde anterior para organismos eucariontes. A descoberta, publicada na revista científica Cell, desafia um paradigma estabelecido há mais de 50 anos, que sugeria que formas de vida complexas não sobreviveriam acima de 60°C.
A espécie, batizada de Incendiamoeba cascadensis e apelidada de "ameba de fogo", foi encontrada em águas termais no Parque Nacional de Lassen Volcanic, na Califórnia. Ela não só se reproduz a 63°C, como também se mantém ativa e em movimento até 64°C. Em condições de dormência, como um cisto, a ameba pode suportar brevemente temperaturas de até 70°C.
O que são eucariontes e por que a descoberta é importante
Enquanto seres mais simples, como bactérias e arqueas (procariontes), já demonstravam capacidade de viver em temperaturas extremas, acima de 100°C em alguns casos, acreditava-se que células eucariontes – mais complexas, com núcleo definido, como as de animais e plantas – tinham um limite térmico mais baixo.
A descoberta da Incendiamoeba cascadensis, um organismo unicelular, mas eucarionte, demonstra que a vida complexa pode se adaptar a ambientes antes considerados inóspitos. Isso expande o entendimento sobre os limites da vida no planeta e as condições sob as quais ela pode persistir.
Como a ameba de fogo sobrevive a altas temperaturas
Para entender os mecanismos por trás dessa resistência térmica, os cientistas sequenciaram e analisaram o genoma da ameba de fogo. A análise preliminar sugere que a espécie possui mecanismos genéticos robustos para manter a estabilidade de suas proteínas e membranas celulares em altas temperaturas.
Além disso, a pesquisa indica que a ameba pode ter ferramentas para reparar proteínas danificadas pelo calor e adaptar seu comportamento, como a velocidade de deslocamento, em resposta a temperaturas excessivamente elevadas. Esses mecanismos são cruciais para sua sobrevivência e reprodução em um ambiente vulcânico.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na revista Cell por cientistas da Universidade de Syracuse detalha a descoberta da Incendiamoeba cascadensis. O resumo oficial do estudo, que estabelece um novo limite superior de temperatura para eucariontes, indica que a ameba se divide a 63°C e se mantém em movimento até 64°C. A pesquisa utilizou experimentos de crescimento e microscopia para visualizar a mitose, além de imagens de alta temperatura para quantificar o movimento celular. A análise genômica revelou um enriquecimento de genes relacionados à proteostase, estabilidade do genoma e percepção do ambiente externo, desafiando o paradigma atual sobre as restrições de temperatura para células eucariontes.
A descoberta abre novas perspectivas para a astrobiologia e a busca por vida em outros planetas, onde condições extremas podem ser a norma. Futuras pesquisas poderão explorar a fundo os mecanismos moleculares que permitem à ameba de fogo prosperar em um ambiente tão hostil.
Pesquisa citada
Matérias originais
- “Ameba de fogo” consegue sobreviver e se reproduzir a 63 ºC, quebrando recordes · super.abril.com.br



