Derrota republicana nos EUA: o que atinge o Brasil e a América Latina

Destaques
- •Eleições de meio de mandato nos EUA resultam em vitória democrata no Congresso, alterando a dinâmica política para o governo Trump.
- •Especialista aponta que políticas de tarifas e de acesso a cadeias de suprimento para corrida tecnológica contra China devem se manter, impactando relações com a América Latina.
- •Acompanhar a pressão do Legislativo sobre o orçamento militar e as relações com o Irã, e o posicionamento dos EUA em relação a governos de extrema-direita na América Latina.
A derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como “midterms”, deve gerar uma mudança de postura no governo do presidente Donald Trump. O opositor Partido Democrata obteve o controle da Câmara dos Deputados e do Senado, o que pode aumentar a pressão sobre o mandatário em suas políticas externas e orçamentárias.
Apesar da mudança na correlação de forças no Congresso, a especialista em integração latino-americana, Rita Coitinho, avalia que as políticas de Trump em relação à América Latina, incluindo o Brasil, não devem sofrer alterações drásticas. Segundo ela, Trump mantém o comando da política externa, mesmo que enfrente maior escrutínio do Legislativo.
Impacto nas políticas de Trump
A socióloga Rita Coitinho ressalta que a política de tarifas imposta por Trump, que encareceu importações e não gerou o efeito esperado na indústria, deve se manter. Ela também acredita que a política de acesso dos Estados Unidos às cadeias de suprimento de insumos para a corrida tecnológica contra a China, como o Escudo das Américas, não enfrentará oposição real dos democratas.
"Ele deve enfrentar alguma dificuldade em aprovar o orçamento militar, o que pode atrapalhar mais os planos em relação ao Irã do que em relação ao Brasil. E quanto ao tema das tarifas, eu acredito que é uma política que vai se manter", afirma Coitinho.
Relação com a América Latina
Apesar de os democratas terem interesse em parecer menos intervencionistas, Coitinho aponta que o tratamento dado por eles à região não é isento ou totalmente democrático. Ela prevê que o tom de Trump em relação ao continente deve se manter, visando apoiar seus aliados de extrema-direita na região.
Presidentes da chamada “internacional de extrema-direita”, como Javier Milei (Argentina), Keiko Fujimori (Peru), Abelardo de la Espriella (Colômbia), Daniel Noboa (Equador) e Nayib Bukele (El Salvador), são citados como os que mais podem perder com um Trump enfraquecido.
Próximos passos e cenário internacional
A derrota nas midterms também pode gerar dificuldades para Marco Rubio, que busca se diferenciar de Trump em sua pré-candidatura presidencial. No Oriente Médio, a pressão democrata no Congresso pode afetar o intervencionismo dos EUA no Irã. Já em relação à Europa, os democratas tendem a buscar uma reaproximação com a União Europeia e fortalecer a OTAN.
A posse dos novos parlamentares eleitos ocorrerá em janeiro de 2027, quando a nova composição do Congresso americano começará a vigorar.



