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Deoleo, dona de Bertolli, despenca na bolsa após acordo de venda

06 de novembro de 2026
Deoleo, dona de Bertolli, despenca na bolsa após acordo de venda

Destaques

  • •Ações da Deoleo, maior engarrafadora de azeite do mundo, caíram até 23,12% após anúncio de venda.
  • •Mercado avalia que o valor de 520 milhões de euros pela operação será menor após descontos e retenções.
  • •A conclusão da venda depende de aprovações regulatórias e de acionistas, com estimativa de seis a oito meses.

As ações da Deoleo, a maior engarrafadora de azeite do mundo e dona de marcas como Carbonell e Bertolli, despencaram até 23,12% na Bolsa de Madri na quinta-feira (5). A queda ocorreu após a companhia anunciar um acordo para vender suas operações a um consórcio formado pelas espanholas Dcoop e Acesur.

O negócio é avaliado em 520 milhões de euros, mas o mercado reagiu negativamente porque esse valor não corresponde ao montante que será efetivamente recebido pela Deoleo nem ao que será repassado aos seus acionistas. O pagamento será menor após o desconto de dívidas, ajustes financeiros e retenções previstas no contrato.

Valor recebido pela Deoleo

A Deoleo, que detém 50,99% da holding, estima receber entre 190 milhões e 200 milhões de euros pela venda de sua participação. Este valor, no entanto, ainda não é definitivo e poderá mudar até a conclusão da venda. Além disso, parte dos recursos ficará retida em uma conta de garantia, o que significa que não estará imediatamente disponível para a companhia.

A diferença entre o valor total da operação e o dinheiro que efetivamente ficará com a empresa foi o principal fator para a reação negativa dos investidores. A Deoleo não informou como pretende utilizar os recursos que receberá.

Quem são os compradores e próximos passos

Pelo acordo, a Dcoop, uma cooperativa espanhola com mais de 75 mil famílias de agricultores, e a Acesur, empresa familiar dona de marcas como La Española e Coosur, dividirão igualmente o controle do negócio.

A conclusão da venda ainda depende da aprovação dos acionistas da Deoleo e de autorizações regulatórias em três países. Na Espanha e nos Estados Unidos, as autoridades de defesa da concorrência avaliarão os efeitos da compra sobre o mercado. Na Itália, será necessária uma autorização para que as operações locais da Deoleo passem ao controle de investidores estrangeiros.

Outro ponto de atenção envolve os contratos de licença da marca Bertolli. O grupo japonês Mizkan tem dois meses após o anúncio para informar se pretende encerrar algum desses contratos devido à mudança de controle.

Contexto de mercado e reestruturação

A venda encerra um processo de busca por compradores que ganhou força em agosto, quando os principais acionistas da Deoleo avaliaram alternativas estratégicas, incluindo a possibilidade de venda. A empresa, controlada majoritariamente por fundos de private equity desde 2014, passou por diferentes processos de reestruturação financeira ao longo dos anos.

A negociação ocorre em um momento de recuperação na produção espanhola de azeite, que responde por aproximadamente um terço da produção mundial. Após duas safras prejudicadas por secas, a expectativa é de maior oferta, o que já pressiona as cotações do produto para baixo. O azeite extravirgem era negociado a cerca de 3,40 euros por quilo, ante 4,20 euros um ano antes.

A Deoleo estima que o processo regulatório para a venda leve entre seis e oito meses para ser concluído.

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