Deficiência de Vitamina D: Jovens no Reino Unido e Brasil enfrentam riscos

Destaques
- •Jovens no Reino Unido e Brasil apresentam altos índices de deficiência de vitamina D, associada a fadiga e dores ósseas.
- •A deficiência pode levar a osteomalácia em adultos e raquitismo em crianças, com especialistas alertando para um "déficit ao longo da vida" em mulheres.
- •Médicos e acadêmicos pedem ampliação dos limites de diagnóstico e maior enriquecimento de alimentos para combater o problema.
Jovens no Reino Unido e no Brasil enfrentam um crescente problema de deficiência de vitamina D, associado a sintomas como fadiga, tontura, náusea, palpitações e dores ósseas. Saskia Reeves-Priestley, de 23 anos, professora de educação especial no Reino Unido, desmaiou no trabalho e, após exames, descobriu que seus níveis de vitamina D estavam "praticamente zero". No Reino Unido, dados indicam que quase um quarto dos jovens entre 11 e 18 anos apresentaram deficiências nutricionais no último ano.
No Brasil, apesar da alta incidência solar, mais de 50% da população adulta tem níveis insuficientes ou deficientes de vitamina D, segundo pesquisas da Fiocruz e estudos clínicos. A vitamina D é produzida pelo corpo quando a pele é exposta à luz solar, mas fatores como o uso de protetor solar, cobrir o corpo e a menor intensidade da luz em certas épocas do ano ou regiões podem diminuir essa produção. Pessoas com pele mais escura necessitam de maior exposição solar para produzir a mesma quantidade da vitamina.
Sintomas e Riscos da Deficiência
A deficiência de vitamina D está ligada ao raquitismo em crianças e a um enfraquecimento ósseo semelhante em adultos, chamado osteomalácia. A Dra. Suma Uday, endocrinologista pediátrica, descreve a condição como uma "doença silenciosa", difícil de detectar e que pode ser erroneamente diagnosticada. Os sintomas incluem fadiga e dores nas articulações e ossos, podendo levar a fraturas.
Amaka, estudante de 21 anos, relatou tremores e dificuldade de enxergar, sendo diagnosticada com deficiência de vitamina D após ir ao pronto-socorro. Apesar de não ter tido outros sintomas além do cansaço, ela descreveu a experiência como assustadora e está ansiosa para que não se repita. Após a suplementação, Amaka se sentiu melhor, mas a preocupação com uma possível recorrência permanece.
Apelo por Ações e Conscientização
Médicos e acadêmicos, como a Dra. Uday e o Professor Martin Hewison da Universidade de Birmingham, formaram o grupo ACT NOW Vitamin D. Eles pedem a ampliação do limite a partir do qual uma pessoa é classificada como deficiente, o que permitiria identificar e tratar mais casos precocemente. A Dra. Uday alerta para um "déficit ao longo da vida" em mulheres, que pode afetar várias gerações se não corrigido desde cedo.
O Professor Hewison destaca que, mesmo após 100 anos da descoberta da vitamina D, o raquitismo ainda é um problema. Ele sugere que o governo do Reino Unido considere o enriquecimento de alimentos com a adição de vitaminas, citando políticas obrigatórias em países como Canadá e Suécia. No Reino Unido, a fortificação de alimentos como cereais matinais é opcional. Para grupos específicos, a suplementação de vitamina D pode se tornar algo natural, especialmente durante os meses de inverno, quando os níveis tendem a cair.



