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Custo do hidrogênio verde no Brasil sobe quase 27% em um ano

07 de novembro de 2026
Custo do hidrogênio verde no Brasil sobe quase 27% em um ano

Destaques

  • •Produção de hidrogênio verde no Brasil encareceu 26,9% em 12 meses, atingindo US$ 6,58 por quilo.
  • •A energia elétrica é o principal vilão, respondendo por quase 80% da alta nos custos de produção.
  • •Apesar do aumento, o Brasil ainda é competitivo globalmente, mas precisa otimizar contratação de energia e financiamento.

O custo de produção do hidrogênio verde no Brasil registrou um aumento expressivo de 26,9% em um ano, saltando de US$ 5,19 para US$ 6,58 por quilo. O principal fator por trás dessa elevação é o preço da energia elétrica, que representa quase 80% da pressão sobre os custos.

O estudo da consultoria Cela (Clean Energy Latin America) aponta que o custo atual de produção varia entre US$ 3,79 e US$ 9,37 por quilo, dependendo de fatores como localização, tecnologia, contratação de energia e estrutura de investimentos. A edição do ano passado do levantamento indicava uma faixa de US$ 2,94 a US$ 7,44 por quilo.

Energia elétrica e financiamento ditam o ritmo

A energia elétrica, especialmente através de contratos de longo prazo (PPAs) e condições de modulação do fornecimento, é o principal motor dos custos. Fatores como condições de financiamento e o ambiente macroeconômico também influenciam, embora em menor proporção, assim como os custos de equipamentos e investimentos.

A CEO e fundadora da Cela, Camila Ramos, destaca que a competitividade dos projetos de hidrogênio verde não depende apenas do custo dos eletrolisadores, mas, crucialmente, das condições de contratação e uso da eletricidade.

Amônia verde também sente o impacto

A alta nos custos também afetou a amônia verde, um derivado do hidrogênio essencial para a produção de fertilizantes e com potencial como combustível de baixo carbono. O custo médio da amônia verde subiu 22,7%, passando de US$ 1.114 para US$ 1.368 por tonelada.

A faixa de produção da amônia verde também se expandiu, indo de US$ 648 a US$ 1.580 por tonelada em 2025 para US$ 787 a US$ 1.948 neste ano.

Brasil mantém competitividade, mas com ressalvas

Apesar do encarecimento, a Cela avalia que o Brasil ainda possui condições favoráveis para o desenvolvimento de uma indústria competitiva de hidrogênio verde e derivados, em grande parte devido à sua vasta disponibilidade de energia renovável. Camila Ramos ressalta que o país se mantém entre os mercados mais competitivos globalmente para a produção desses insumos.

No entanto, os resultados do estudo reforçam que a forma como a energia é contratada e as condições de financiamento são determinantes para a viabilidade econômica dos empreendimentos e para atrair investimentos de longo prazo. A transformação do potencial de energia renovável em projetos economicamente mais viáveis é um desafio chave para o país.

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