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CSD BR aposta em interoperabilidade para desafiar B3 no mercado de capitais

27 de outubro de 2026
CSD BR aposta em interoperabilidade para desafiar B3 no mercado de capitais

Destaques

  • •CSD BR busca expandir atuação no mercado de capitais brasileiro com foco em novos mercados e interoperabilidade entre depositárias.
  • •A companhia já supera a B3 em volume de swaps de balcão e defende que há espaço para mais participantes na economia brasileira.
  • •Acordo com BEE4 para interoperabilidade aguarda etapas regulatórias da CVM e do Banco Central para viabilizar acesso transparente a ativos.

A CSD BR, infraestrutura do mercado financeiro que se posiciona como concorrente da B3, aposta na criação de novos mercados e na interoperabilidade entre depositárias para expandir sua atuação no mercado de capitais brasileiro. A companhia já ultrapassou a B3 em volume de operações com swaps de balcão e argumenta que a dimensão da economia brasileira e a participação ainda limitada do mercado de capitais abrem espaço para novos entrantes.

O CEO da CSD BR, Edivar Queiroz, afirma que a entrada de novos participantes não precisa se dar pela transferência de negócios, mas sim pela criação de mercados inexistentes ou pouco desenvolvidos. "O Brasil está entre as maiores economias do mundo, mas tem um mercado de capitais relativamente pequeno. Existe uma lacuna a ser preenchida", declarou Queiroz. A empresa já registrou e liquidou R$ 320 bilhões em operações neste ano, até o fim de setembro, em diversos instrumentos financeiros como CDBs, LCIs, letras financeiras, debêntures e ações.

Interoperabilidade para conectar infraestruturas

Uma das principais estratégias da CSD BR para fomentar a concorrência é a interoperabilidade entre depositárias, um mecanismo que permite a investidores acessar produtos custodiados em diferentes infraestruturas sem precisar de conexões diretas com todas elas. A companhia firmou um acordo com a BEE4 para implementar esse modelo.

Na prática, um investidor conectado a uma depositária poderá negociar um produto disponível em outra por meio do seu ambiente usual, enquanto as instituições responsáveis pelas infraestruturas se comunicam entre si. "Imagine que alguém está conectado à CSD e quer comprar um produto que está na BEE4. Essa pessoa não precisa ir diretamente à BEE4: pode comprar por aqui, e nós nos comunicamos com a outra depositária", explicou Queiroz, comparando o sistema a uma ligação telefônica onde o usuário não precisa saber a operadora da outra linha.

O acordo entre CSD BR e BEE4 aguarda a conclusão das etapas regulatórias. Segundo Queiroz, o modelo foi considerado juridicamente viável pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central (BC), mas ainda depende da definição do procedimento operacional. Ele ressalta que esta é a primeira iniciativa voluntária desse tipo entre duas depositárias de valores mobiliários, visando conectar suas infraestruturas e promover a concorrência.

Concorrência e resiliência do mercado

Além de ampliar o acesso a produtos, a interoperabilidade pode aumentar a resiliência do mercado financeiro, reduzindo os riscos associados à dependência de uma única infraestrutura. Queiroz mencionou episódios de problemas operacionais na B3, destacando que falhas podem afetar investidores e a percepção internacional sobre a infraestrutura brasileira.

"Uma empresa como a B3 deixar de operar por tanto tempo é uma coisa séria. Para o Brasil, isso é ruim, porque os participantes podem começar a se perguntar se todas as infraestruturas do país funcionam assim", disse. A interoperabilidade, segundo ele, ofereceria uma alternativa para que novas operações continuassem sendo realizadas em outros ambientes conectados, caso uma plataforma enfrente interrupções. "Se a B3 tivesse parado, as novas negociações de ações, dólar e juros poderiam continuar sendo feitas em outro ambiente conectado", exemplificou.

A CSD BR desenvolve sua tecnologia internamente, contando com cerca de 200 funcionários, sendo aproximadamente 140 engenheiros. A empresa busca consolidar sua presença em diferentes segmentos do mercado de capitais, com o objetivo de criar mais mercado e não apenas transferir operações.

Desafios regulatórios e benefícios da concorrência

A construção de novas infraestruturas financeiras enfrenta desafios regulatórios, pois a interoperabilidade entre depositárias é um conceito novo para muitos participantes e supervisores. Queiroz aponta que os órgãos reguladores, como a CVM e o Banco Central, estão em processo de adaptação e definição de procedimentos para modelos inéditos.

A liquidez é outra questão frequentemente debatida. Queiroz argumenta que a discussão deve considerar o estágio de desenvolvimento de cada companhia e que a interoperabilidade pode ajudar a viabilizar o desenvolvimento de novos mercados. A concorrência, segundo ele, estimula melhorias nos serviços, inovação tecnológica e preços mais competitivos, beneficiando investidores com acesso a produtos melhores e mais justos.

"A corrida tecnológica e a criação de novos mercados devem beneficiar o investidor, que passa a ter acesso a produtos melhores e a preços mais justos. No fim, é o investidor quem ganha quando existe mais concorrência", concluiu Queiroz.

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