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Crise no Ueno Bank: Intervenção expõe negócios do Grupo Vázquez no Paraguai

04 de novembro de 2026
Crise no Ueno Bank: Intervenção expõe negócios do Grupo Vázquez no Paraguai

Destaques

  • •A intervenção no Ueno Bank, instituição financeira paraguaia, levanta questões sobre a solidez do Grupo Vázquez, conglomerado com negócios em diversos setores.
  • •O Grupo Vázquez, com mais de 75 anos de história, registrou ativos de US$ 808 milhões e patrimônio líquido de US$ 347 milhões até junho de 2026.
  • •A proximidade do grupo com o presidente paraguaio Santiago Peña e a relação com depósitos governamentais no Ueno Bank adicionam um componente político à crise.

A crise no Ueno Bank, instituição financeira paraguaia que sofreu intervenção das autoridades, colocou sob os holofotes os negócios do Grupo Vázquez, um conglomerado com mais de 20 empresas em setores como financeiro, tecnológico, varejo, agronegócio e imobiliário. Com origem em negócios familiares fundados há mais de 75 anos, o grupo emprega mais de 5.500 funcionários e registrava faturamento diário superior a US$ 1 milhão. Até junho de 2026, o conglomerado apresentava ativos de aproximadamente US$ 808 milhões e patrimônio líquido de US$ 347 milhões.

Origem e Expansão do Grupo Vázquez

A história do grupo remonta a duas famílias: os Villasanti, fundadores da Cóndor SACI (representante da Mercedes-Benz no Paraguai), e os Vázquez, que iniciaram no comércio e expandiram para o setor de crédito com a fundação da Credicentro em 1984. A Credicentro foi a base para a expansão financeira do grupo, que se intensificou em 2012 com a listagem na Bolsa de Valores de Assunção. Ao longo dos anos, o grupo adquiriu empresas em diversos setores, incluindo agronegócio (2015), pagamentos e comércio eletrônico (2016), e crédito (2017).

A reorganização financeira ganhou força em 2020 com a fusão da Credicentro e o lançamento de plataformas digitais. Em 2021, o grupo incorporou empresas de tecnologia e finanças, e em 2022, a Credicentro mudou de nome para Ueno Holding SAECA, integrando também seguradoras e empresas de entretenimento.

Do Ueno Bank à Crise Financeira

O Ueno Bank emergiu como um dos principais braços financeiros do grupo, alcançando 2,6 milhões de clientes no final de 2025 e emitindo quase 1,1 milhão de cartões de crédito até setembro de 2026, tornando-se a maior emissora do país. A estrutura societária passou por mudanças, com a incorporação da Ueno Holding SAECA pelo Grupo Vázquez em julho de 2025.

Os investimentos em empresas associadas e controladas somavam cerca de US$ 637 milhões em junho de 2026. O grupo também possuía US$ 146 milhões em títulos de dívida com vencimento em 2031. No primeiro semestre de 2026, o conglomerado registrou lucro líquido de US$ 30 milhões, com vendas em queda de 31,2%. As despesas financeiras aumentaram significativamente.

Relação com o Governo e Questionamentos

O crescimento do Ueno Bank coincidiu com a ampliação de sua relação com o setor público, especialmente após a posse de Santiago Peña como Presidente do Paraguai em 2023. No fim de junho de 2026, os depósitos públicos na instituição somavam cerca de US$ 869 milhões, representando 29% do total de depósitos do banco. A proximidade entre o grupo e o governo ganhou atenção adicional pelo fato de Peña ter sido sócio comercial do Grupo Vázquez até março de 2025.

A crise do banco escalou para o debate político, com pedidos de impeachment contra o presidente. O Ueno Bank já enfrentava questionamentos de reguladores sobre suas operações e estrutura financeira, incluindo investigações sobre possível financiamento indireto. A administração do banco nega irregularidades.

Pressão no Mercado e Perspectivas

A instituição também enfrentou pressão no mercado de dívida, com seus títulos perdendo valor após uma emissão histórica. A Fitch Ratings revisou a perspectiva dos títulos para negativa, citando o rápido crescimento do balanço e o volume de ativos intangíveis. Na semana anterior à intervenção, executivos apresentaram um plano de capitalização de US$ 100 milhões.

Apesar da dimensão do Ueno Bank, autoridades paraguaias afirmaram que o caso não representa uma crise generalizada no sistema financeiro. Depósitos de até cerca de R$ 200 mil por pessoa seriam garantidos pela autoridade monetária.

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