Criptoagilidade: Empresas buscam agilidade para proteger dados contra ameaças futuras

Destaques
- •A criptoagilidade permite que aplicações solicitem serviços criptográficos a um backend, facilitando a atualização de algoritmos sem reescrever códigos.
- •A urgência em adotar criptoagilidade é impulsionada pela computação quântica, que pode tornar a criptografia atual insegura até 2029, e pela ameaça de 'coletar agora para descriptografar depois'.
- •Especialistas recomendam que empresas comecem a inventariar seus ativos criptográficos e planejem a migração para uma arquitetura mais flexível, visando reduzir custos e aumentar a velocidade de adaptação a novas tecnologias e regulamentações.
A substituição de algoritmos de criptografia em grandes organizações, que atualmente pode levar meses devido à integração direta com aplicações, está se tornando um processo mais ágil com a adoção da criptoagilidade. Essa nova abordagem inverte a lógica, onde as aplicações solicitam serviços a um backend criptográfico que gerencia algoritmos, chaves e políticas. Assim, a atualização de um algoritmo no backend beneficia todas as aplicações sem a necessidade de modificar o código de cada uma.
A urgência em implementar a criptoagilidade foi intensificada pela iminente ameaça da computação quântica. Analistas preveem que, até 2029, a criptografia assimétrica utilizada atualmente se tornará insegura. Além disso, a prática de 'coletar agora para descriptografar depois' (Harvest Now – Decrypt Later) expõe dados sensíveis e de longa vida útil a riscos. O Gartner recomenda que os CISOs priorizem a criação de um inventário criptográfico corporativo para garantir a criptoagilidade e a prontidão pós-quântica em 2026.
O que é criptoagilidade e como funciona?
A criptoagilidade consiste em criar uma arquitetura onde as aplicações não precisam conhecer os detalhes complexos da criptografia que utilizam. Em vez disso, elas demandam o serviço necessário a uma infraestrutura criptográfica de retaguarda (backend). Essa infraestrutura é responsável por aplicar os algoritmos, chaves e políticas adequadas. A vantagem é que, se uma empresa precisar substituir um algoritmo específico no futuro, essa alteração pode ocorrer na camada de retaguarda, sem a necessidade de reescrever todas as aplicações que dependem dela.
Essa abordagem visa reduzir a complexidade e estabelecer uma base que prepare as empresas para futuras mudanças tecnológicas e regulatórias. A criptoagilidade não se confunde com a criptografia pós-quântica (PQC), sendo esta última uma das razões para a urgência da discussão, mas não a única. Algoritmos podem se tornar vulneráveis, padrões de segurança mudam e novas exigências regulatórias surgem.
Benefícios e aplicações no setor financeiro
Além de preparar as empresas para ameaças futuras, a criptoagilidade oferece vantagens em tempo e dinheiro. Ao organizar serviços e políticas criptográficas em uma camada especializada, a empresa pode reduzir integrações ponto a ponto, simplificar a administração de chaves e diminuir o esforço de desenvolvimento e testes. Uma integração bem desenhada pode continuar sendo utilizada mesmo com a mudança da tecnologia criptográfica subjacente, resultando em menos retrabalho para as equipes de TI e maior agilidade para o negócio.
No setor financeiro, onde bancos, adquirentes e fintechs lidam com centenas ou milhares de chaves e relações criptográficas, a criptoagilidade se torna ainda mais relevante. Muitos processos ainda envolvem etapas operacionais e procedimentos construídos ao longo de décadas, tornando a gestão de chaves um desafio complexo e custoso.
O caminho para a evolução criptográfica
A adoção da criptoagilidade não exige a desconstrução imediata de tudo o que as empresas construíram. Grandes organizações investiram em HSMs (Hardware Security Modules), salas seguras, processos de custódia e equipes especializadas, que continuarão sendo necessários. O objetivo é criar um caminho para que a infraestrutura evolua sem a necessidade de uma ruptura a cada mudança tecnológica.
A implementação pode ser gradual, convivendo com os ambientes existentes enquanto novas aplicações são desenvolvidas com uma arquitetura mais preparada para mudanças. A evolução natural aponta para a adoção de um modelo de criptoagilidade, onde a infraestrutura é preparada para mudar quando necessário, sem obrigar a empresa a começar tudo de novo. Rafael Silva, Diretor da Futurex Brasil, ressalta que é preciso começar a planejar e migrar os ativos criptográficos, algoritmos, chaves e certificados com mais facilidade.



