Crianças palestinas com membros amputados enfrentam crise de saúde em Gaza

Destaques
- •Pelo menos 1.134 crianças palestinas com membros amputados em Gaza sofrem com a falta de acesso a cuidados de saúde e reabilitação.
- •A interrupção deliberada de tratamentos e a restrição de viagens impedem o acesso a próteses e cirurgias especializadas, tanto localmente quanto no exterior.
- •A situação agrava o risco de danos físicos e psicológicos permanentes, com a Euro-Med Human Rights Monitor alertando para possíveis atos de genocídio.
Pelo menos 1.134 crianças palestinas que tiveram membros amputados em decorrência de ataques israelenses na Faixa de Gaza enfrentam graves dificuldades de acesso a cuidados de saúde e serviços de reabilitação. A organização Euro-Med Human Rights Monitor, sediada em Genebra, relatou que a interrupção deliberada e contínua dos tratamentos está causando danos físicos e psicológicos severos, com o risco de transformar o sofrimento atual em privação vitalícia.
A situação é agravada pela restrição de viagens, que impede a evacuação médica de centenas de crianças para tratamento especializado no exterior. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre setembro de 2024 e maio de 2026, cerca de 2.300 amputados foram avaliados em Gaza, mas apenas 500, menos de 25%, conseguiram acesso a próteses permanentes.
Escassez de Profissionais e Suprimentos
Atualmente, Gaza conta com apenas oito profissionais certificados em próteses e órteses. A falta de suprimentos técnicos para a fabricação, adaptação e manutenção desses dispositivos é crítica. A proibição imposta pelas forças israelenses à importação de ferramentas de fabricação de próteses e o bloqueio de permissões para especialistas internacionais agravam o cenário.
As lacunas no acompanhamento médico e a incapacidade de ajustar as próteses conforme as crianças crescem podem levar a complicações adicionais, dor crônica e maior dificuldade de locomoção. A situação demanda atenção urgente para garantir que esses jovens recebam o suporte necessário para sua recuperação e bem-estar.
Denúncia de Violações e Próximos Passos
Em um depoimento coletado pela Euro-Med, Fidaa Ahmad Al-Shaer relatou que seu filho de 11 anos ficou paralisado e perdeu uma mão após ser atingido por um projétil. A família não conseguiu sair do país para tratamento e cirurgias fora de Gaza devido ao fechamento sistemático das fronteiras.
Diante deste quadro, a Euro-Med Human Rights Monitor reiterou que infligir deliberadamente condições de vida calculadas para causar destruição física, total ou parcial, se enquadra nos atos listados no Artigo 2 da Convenção sobre Genocídio. A organização pede ações internacionais para garantir o acesso a cuidados médicos e reabilitação para as crianças afetadas.
Matérias originais
- Israel impede tratamento para mais de mil crianças amputadas em Gaza, diz ONG · operamundi.uol.com.br



