CRA 'verde' da Caramuru: paraíso de desmatadores ou greenwashing?
Destaques
- •Título financeiro 'verde' da Caramuru Alimentos listou fornecedores com embargos ambientais do Ibama.
- •Especialistas alertam para risco reputacional e fragilidade na diligência socioambiental.
- •Empresas como Lindt e Ferrero, clientes da Caramuru, reafirmam compromissos com cadeias livres de desmatamento.
Um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) 'verde' emitido pela Caramuru Alimentos em setembro de 2021 levantou suspeitas ao listar três fornecedores com embargos ambientais do Ibama. Juntos, eles foram responsáveis por desmatamento ilegal em uma área equivalente a cerca de 350 campos de futebol.
Apesar de a empresa afirmar que as propriedades embargadas não eram as de onde originou os grãos no momento da emissão do CRA, especialistas apontam que a mera menção de produtores com restrições ambientais pode indicar fragilidade na diligência e risco reputacional para a operação e para os bancos envolvidos na distribuição, como o BTG Pactual e o UBS BB.
A Caramuru garante que monitora sua cadeia de fornecimento e que qualquer inconformidade resulta no bloqueio da propriedade. No entanto, a consultoria que emitiu o parecer de segunda opinião sobre o CRA, a Resultante (adquirida pela KPMG), baseou sua análise em informações públicas e autodeclaradas, sem caráter de auditoria.
Enquanto isso, clientes da Caramuru, como as gigantes do chocolate Lindt e Ferrero, reafirmam seus compromissos com cadeias de suprimento responsáveis e livres de desmatamento, sujeitando a Caramuru a processos de due diligence.
A AttestESG, consultoria ligada ao BTG Pactual, por sua vez, afirmou não ter emitido pareceres sobre dívidas verdes da Caramuru na data em questão, e que auditorias na cadeia de fornecedores não fazem parte de seu escopo.




