Coreia do Sul expande patrulha naval perto do Estreito de Ormuz

Destaques
- •Coreia do Sul planeja estender a área de atuação de sua unidade naval para as águas próximas ao Estreito de Ormuz.
- •A expansão visa garantir a segurança de rotas de navegação estratégicas, com envio de aeronaves de patrulha e equipe especializada.
- •A medida, que ainda depende de aprovação parlamentar, tem como objetivo proteger o fluxo de petróleo importado pelo país.
O governo da Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira (05/11) o plano de expandir as operações navais de sua Unidade Cheonghae para as águas estratégicas próximas ao Estreito de Ormuz. A missão, que atualmente protege navios comerciais no Golfo do Áden, na Somália, deverá ser estendida até as águas ao sul de Omã, no porto de Duqm, a aproximadamente 403 milhas do estreito. A decisão surge em meio a pressões dos Estados Unidos e a um aumento na pirataria na região.
Expansão e reforços navais
A expansão prevê o envio de forças adicionais, incluindo aviões de patrulha marítima, uma equipe de desativação de explosivos (EOD) e equipamentos não tripulados de desminagem. Segundo o jornal Korea Herald, a Coreia do Sul deve implantar uma aeronave de patrulha marítima P-8A e aumentar em 75% o número de efetivos da unidade. Atualmente, a Unidade Cheonghae conta com um contratorpedeiro, um helicóptero, três barcos infláveis e cerca de 300 militares.
A moção revisada que detalha a expansão ainda será apresentada à Assembleia Nacional para aprovação parlamentar. Caso aprovada, a extensão do apoio sul-coreano vigorará até 31 de dezembro de 2027.
Justificativas e contexto geopolítico
O Ministério da Defesa sul-coreano justificou a expansão como necessária devido ao aumento da pirataria na Somália, atribuído em parte ao deslocamento de forças navais internacionais para o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, em decorrência da guerra na região. O número de incidentes de pirataria relatados aumentou de 11 em 2025 para 36 atualmente, espalhando-se para as águas ao sul de Omã.
A pasta enfatizou, contudo, que a missão ampliada não implicará o envolvimento da Coreia do Sul na guerra entre Irã e Estados Unidos. "Não participaremos nem interviremos na guerra sob nenhuma circunstância", declarou um funcionário do ministério.
Em setembro, o governo sul-coreano recuou de planos anteriores de auxiliar aliados ocidentais após críticas internas, que interpretaram a medida como uma entrada formal em um conflito. O presidente Lee Jae Myung não confirmou nem desmentiu na ocasião o envio de forças navais.
Dependência de petróleo e pressão dos EUA
A decisão também é motivada pela forte dependência da Coreia do Sul das importações de petróleo. Em 2025, antes da guerra, o país obteve 70% de seu suprimento do Oriente Médio, com a maior parte sendo entregue via Estreito de Ormuz. Em agosto, o presidente norte-americano Donald Trump havia revelado que seu homólogo sul-coreano recusou ajuda para desbloquear o estreito, o que levou à redução de exercícios militares conjuntos e a ameaças de aproximação com a Coreia do Norte.
Matérias originais
- Pressionada pelos EUA, Coreia do Sul anuncia missão naval perto do Estreito de Ormuz · operamundi.uol.com.br



