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Copom mantém Selic em 13,75% ao ano e interrompe ciclo de cortes de juros

04 de novembro de 2026
Copom mantém Selic em 13,75% ao ano e interrompe ciclo de cortes de juros

Destaques

  • •Comitê de Política Monetária (Copom) decide, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo ciclo de cortes iniciado em março.
  • •Decisão reflete aumento de incertezas, piora nas expectativas de inflação e ambiente externo adverso, com projeções para 2026 e 2027 distantes da meta.
  • •Mercado aguarda sinalizações sobre política fiscal do novo governo, enquanto setores produtivos criticam a manutenção dos juros altos.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (4), interrompe o ciclo de cortes iniciado em março deste ano, quando a taxa estava em 15%. A manutenção da taxa, amplamente esperada pelo mercado financeiro, reflete um cenário de aumento significativo das incertezas, piora nas expectativas de inflação e um ambiente externo mais adverso.

O Copom citou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo, e a política monetária mais restritiva nas economias avançadas como fatores que exigem cautela. O colegiado destacou que o contexto atual apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela. As expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pelo Boletim Focus, distanciaram-se da meta de 3%, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028 elevou-se para 3,5%.

Cenário desafiador e riscos inflacionários

O colegiado também apontou riscos para a inflação, como a desancoragem das expectativas, choques de oferta relacionados ao petróleo e efeitos climáticos, a resiliência da inflação de serviços e uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. A desaceleração da atividade econômica doméstica foi reconhecida, mas os sinais de desaquecimento na margem do mercado de trabalho e a aceleração da inflação cheia e das medidas subjacentes acima do limite superior da meta foram pontos de atenção.

Analistas apontam que a taxa Selic elevada é consequência das incertezas fiscais e macroeconômicas, e que o Banco Central está reagindo a essa situação. A expectativa é que a taxa permaneça em patamares restritivos por mais tempo, até que haja sinais consistentes de desinflação e reancoragem das expectativas. O diferencial de juros elevado por mais tempo tende a dar algum suporte ao real, mas o dólar provavelmente seguirá mais sensível às sinalizações fiscais do novo governo do que à política monetária.

Críticas e repercussão no setor produtivo

A decisão de manter os juros elevados foi criticada por entidades do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como equivocada e excessivamente conservadora, argumentando que a manutenção dos juros altos encarece o crédito, prejudica empresas e famílias e desacelera a economia. A CNI defendeu a retomada dos cortes na próxima reunião do Copom, em dezembro.

Por outro lado, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) considerou a pausa prudente diante das incertezas fiscais, da pressão cambial e da piora das expectativas de inflação. A entidade argumentou que uma redução adicional de 0,25 ponto percentual poderia ser interpretada pelo mercado como tolerância maior com os riscos inflacionários. A Força Sindical classificou a decisão como “irracional, nefasta e desastrosa”, afirmando que os juros altos restringem o crédito, a produção e a geração de empregos.

Próximos passos e incertezas fiscais

O Copom evitou se comprometer com os próximos passos da política monetária, afirmando que seguirá acompanhando a evolução do cenário para manter a restrição adequada e assegurar a convergência da inflação à meta. A indefinição sobre a condução da política fiscal e a escolha do futuro ministro da Fazenda contribuem para a deterioração das expectativas do mercado. Analistas como Tony Volpon, ex-diretor do BC, alertam para o risco de “dominância fiscal” e estagflação, com a possibilidade de recessão em 2027.

O financiamento imobiliário, por exemplo, não deve sofrer alterações significativas no curto prazo, pois sua precificação tem sido mais influenciada pela curva de juros futuros (DI) do que pela Selic. A expectativa é que a taxa Selic permaneça em patamares restritivos por mais tempo, até que haja maior clareza sobre o cenário fiscal e uma melhora consistente nas expectativas de inflação.

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