Consumo do Paraguai em Itaipu pode elevar preços de energia no Brasil
Destaques
- •Aumento da demanda paraguaia por energia de Itaipu pode pressionar preços no Brasil a partir de 2027.
- •Geração termelétrica no Brasil pode subir 11% ao ano e preço médio marginal de energia pode aumentar.
- •Distribuidoras brasileiras alertam para risco de subcontratação e pedem definição de cotas de Itaipu.
O aumento do consumo de energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu pelo Paraguai deve pressionar os preços da energia no Brasil, principalmente ao diminuir a oferta disponível para o sistema elétrico brasileiro no fim da tarde. A análise é de um relatório do Itaú BBA, que aponta que esse cenário tende a aumentar a geração termelétrica durante o pico do fim de tarde, favorecendo empresas como a Eneva, e beneficiar geradores hidrelétricos que optam por deixar energia descontratada para aproveitar janelas de preços altos, como Axia, Copel, Auren e Engie.
Aumento da demanda paraguaia
Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito a metade da energia gerada pela usina binacional de 14 gigawatts (GW). Historicamente, o Brasil utiliza toda sua parcela e compra o excedente paraguaio, que tem menor consumo. No entanto, esse quadro vem mudando com o aumento da carga no Paraguai, impulsionado por atividades como mineração de criptomoedas e data centers.
A demanda de energia do Paraguai avançou entre 12% e 18% ao ano de 2023 a 2025, atingindo uma carga média de 3,3 GW em 2025. Quase toda essa demanda é atendida por Itaipu, embora a participação possa oscilar, dependendo da estratégia comercial e operacional da Ande, estatal de energia paraguaia.
Pico de carga coincide com o Brasil
Um dos problemas desse aumento de carga no país vizinho é que o pico de demanda paraguaio ocorre às 18h, mesmo horário do observado no Brasil. A demanda da Ande nesse horário deverá crescer de 4,0 GW em 2026 para 4,7 GW em 2029, reduzindo a energia de Itaipu disponível para o Brasil justamente no momento em que o sistema mais necessita dela, segundo os analistas do BBA.
Como resultado dessa perda de oferta hidrelétrica, a geração termelétrica no Brasil deve aumentar perto de 11% ao ano no período 2027-29. Paralelamente, o preço médio marginal da energia deve subir de R$40 para R$59 por megawatt-hora (MWh).
Impacto para distribuidoras brasileiras
Além do impacto nos preços, o maior consumo de energia pelo Paraguai também deve afetar o portfólio de contratos das distribuidoras brasileiras que são cotistas de Itaipu. Caso a Ande continue a consumir mais energia de Itaipu do que o abatido das cotas brasileiras, as distribuidoras correm o risco de ficarem subcontratadas em 2027.
Isso as forçaria a recorrer a compras de energia no mercado de curto prazo. O diagnóstico é da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), que enviou carta sobre o assunto à agência reguladora Aneel. A entidade pediu que a Aneel e o governo definam de forma 'tempestiva' o montante de energia da Ande a ser abatido das cotas de Itaipu para 2027.
A Abradee solicitou que, caso haja variação relevante ante 2026, as distribuidoras possam retificar os volumes de suas necessidades de energia antes de um leilão de compra do insumo marcado para 13 de novembro.



