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Composto de planta pode aumentar eficácia de quimioterapia contra câncer

03 de novembro de 2026
Composto de planta pode aumentar eficácia de quimioterapia contra câncer

Destaques

  • •Pesquisadores identificaram que o triptolide, extraído de uma planta, bloqueia enzima que causa resistência a medicamentos contra o câncer.
  • •A combinação do composto com a decitabina mostrou potencial para reativar genes supressores de tumor e destruir células cancerígenas em testes pré-clínicos.
  • •Novos estudos em humanos são necessários para confirmar a segurança e eficácia da abordagem terapêutica.

Pesquisadores do Centro Oncológico Sidney Kimmel, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram que um composto extraído de uma planta, o triptolide, pode ajudar a combater a resistência de células cancerígenas a determinados medicamentos. Em testes de laboratório e em modelos animais, o triptolide demonstrou aumentar a ação da decitabina, um medicamento utilizado no tratamento de alguns tipos de câncer, como leucemias e síndromes mielodisplásicas.

A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, revelou que o triptolide atua bloqueando a enzima DCTPP1. As células cancerígenas utilizam essa enzima para degradar a forma ativa de medicamentos conhecidos como inibidores de DNMT (DNA methyltransferase inhibitors) antes que eles possam agir no material genético. Esses medicamentos são cruciais para reativar genes que controlam o crescimento celular e que podem ter sido silenciados pelo câncer.

Como o triptolide potencializa o tratamento

Ao testar diversas substâncias, os cientistas identificaram o triptolide, um composto derivado da planta Tripterygium wilfordii, conhecida popularmente como cipó-do-deus-do-trovão. Nos experimentos, o composto impediu a ação da DCTPP1, permitindo que a decitabina permanecesse ativa por mais tempo dentro das células tumorais. Essa maior permanência do medicamento aumentou sua capacidade de reativar genes supressores de tumor e de destruir as células cancerígenas.

Os pesquisadores observaram que altos níveis da enzima DCTPP1 estavam associados à resistência aos inibidores de DNMT. Essa descoberta reforça a hipótese de que a enzima desempenha um papel nos mecanismos que permitem às células tumorais escapar desse tipo de tratamento, tornando a combinação triptolide-decitabina uma promissora estratégia terapêutica.

O mecanismo de resistência do câncer

As células cancerígenas podem manipular processos como a metilação do DNA, que envolve a adição de marcadores químicos ao material genético, para silenciar genes essenciais que inibem a proliferação descontrolada. Medicamentos como a decitabina visam reverter esse processo, restaurando a atividade desses genes protetores.

No entanto, a enzima DCTPP1 representa um obstáculo significativo, pois pode destruir a forma ativa do medicamento antes que ele se incorpore ao DNA das células tumorais, comprometendo a eficácia do tratamento. A descoberta do triptolide como inibidor da DCTPP1 oferece uma nova perspectiva para superar essa barreira.

“Isso nos dá uma maneira potencial de remover uma das barreiras que impedem que esses medicamentos funcionem efetivamente em muitos tipos de câncer”, afirmou Vasan Yegnasubramanian, autor sênior da pesquisa.

Próximos passos e limitações

Embora os inibidores de DNMT já sejam utilizados em alguns tipos de cânceres sanguíneos, seu uso em tumores sólidos ainda enfrenta desafios. A pesquisa sugere que o bloqueio da DCTPP1 pode aumentar a eficácia desses medicamentos em uma gama mais ampla de cânceres. Contudo, os resultados atuais são pré-clínicos, o que significa que ainda é necessário desenvolver substâncias seguras que inibam a enzima e testar sua eficácia em ensaios clínicos com seres humanos.

É importante ressaltar que o estudo não valida o consumo da planta Tripterygium wilfordii ou de seus derivados como tratamento para o câncer. O triptolide foi investigado como um composto experimental, e não como uma terapia disponível para pacientes no momento.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado em 2024 no bioRxiv, intitulado "Triptolide sensitizes cancer cells to nucleoside DNA methyltransferase inhibitors through inhibition of DCTPP1-mediated cell-intrinsic resistance", detalha como o triptolide pode aumentar a eficácia de inibidores de metilação do DNA (DNMTi) como a decitabina. Os pesquisadores identificaram que o triptolide inibe a enzima DCTPP1, que é responsável por degradar o metabólito ativo da decitabina. Ao bloquear a DCTPP1, o triptolide permite que mais decitabina seja incorporada ao DNA genômico, levando a um aumento na degradação de DNMT, desmetilação global do DNA e reprogramação transcricional associada. O estudo observou que altos níveis de DCTPP1 conferem resistência intrínseca às células contra os DNMTi, e que o triptolide e seus análogos podem superar essa resistência, demonstrando sinergia no inibição do crescimento e sobrevivência de células cancerígenas in vitro e in vivo.

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