Combinação de Kisqali com hormonioterapia reduz risco de morte em câncer de mama

Destaques
- •Novo estudo mostra que a adição de ribociclibe à hormonioterapia diminuiu em 19,1% o risco de morte em pacientes com câncer de mama RH+/HER2- em estágio inicial.
- •O tratamento, que bloqueia o ciclo celular, demonstrou benefício na sobrevida global e sobrevida livre de doença invasiva, mesmo anos após o término da terapia.
- •A incorporação do Kisqali ao SUS está em análise, enquanto o diagnóstico precoce e o acompanhamento de saúde continuam sendo cruciais para o aumento das chances de cura.
Uma nova combinação de tratamento para câncer de mama RH+/HER2- em estágio inicial demonstrou reduzir em aproximadamente 19,1% o risco de morte de pacientes, em comparação com a hormonioterapia isolada. Os resultados do estudo de fase 3, batizado de NATALEE, foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, e acompanharam cerca de 5 mil pacientes de 20 países, incluindo o Brasil. Este subtipo de câncer de mama representa cerca de 60% a 70% dos casos mundialmente.
O estudo dividiu as participantes em dois grupos: um recebeu apenas hormonioterapia, tratamento que visa bloquear a produção ou ação de hormônios para impedir o crescimento de células cancerígenas. O outro grupo, além da hormonioterapia, recebeu o Kisqali, nome comercial do ribociclibe, um medicamento que atua bloqueando o ciclo celular, processo essencial para a duplicação do DNA e divisão celular, inibindo assim a proliferação dos tumores.
Benefício na Sobrevida Global e Livre de Doença
O oncologista Carlos Barrios, um dos principais investigadores internacionais do estudo, destacou o benefício observado na sobrevida global das pacientes. Ele explicou que, embora a maioria dos casos de câncer de mama seja diagnosticada em estágio localizado, com possibilidade de cura, o tratamento adjuvante, como a hormonioterapia administrada por cinco a dez anos após o tratamento inicial, é crucial para diminuir o risco de recorrência. A hormonioterapia, na verdade, é anti-hormonal, pois impede que hormônios estimulem células receptoras de hormônio.
A combinação com ribociclibe não só reduziu recorrências e metástases, mas também impactou positivamente a sobrevida das pacientes após cerca de 5 a 6 anos de acompanhamento. A abordagem aumentou a sobrevida livre de doença invasiva, que passou de 4,1% em cinco anos para 5,3% em seis anos. Esse benefício se manteve mesmo anos após o término do tratamento, com pacientes sem usar o Kisqali há uma mediana de três anos.
Acesso e Diagnóstico Precoce
O Kisqali já foi aprovado por autoridades regulatórias em mais de 100 países, incluindo FDA e Comissão Europeia. No Brasil, a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) está sob avaliação da Conitec. Barrios enfatizou a importância do acesso a tratamentos que melhoram a sobrevida, especialmente considerando as opções limitadas de inibidores de CDK4/6 no SUS.
O especialista ressaltou que, apesar dos avanços terapêuticos, o diagnóstico precoce continua sendo o fator mais importante para aumentar as chances de cura do câncer de mama. A identificação da doença em estágios iniciais permite tratamentos mais eficazes e com menor risco de complicações. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama anualmente no Brasil para o triênio 2026-2028. A mamografia é indicada a partir dos 40 anos, mas mulheres com histórico familiar ou mutações genéticas devem iniciar o rastreamento mais cedo.



