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Combinação de Kisqali com hormonioterapia reduz risco de morte em câncer de mama

03 de novembro de 2026
Combinação de Kisqali com hormonioterapia reduz risco de morte em câncer de mama

Destaques

  • •Novo estudo mostra que a adição de ribociclibe à hormonioterapia diminuiu em 19,1% o risco de morte em pacientes com câncer de mama RH+/HER2- em estágio inicial.
  • •O tratamento, que bloqueia o ciclo celular, demonstrou benefício na sobrevida global e sobrevida livre de doença invasiva, mesmo anos após o término da terapia.
  • •A incorporação do Kisqali ao SUS está em análise, enquanto o diagnóstico precoce e o acompanhamento de saúde continuam sendo cruciais para o aumento das chances de cura.

Uma nova combinação de tratamento para câncer de mama RH+/HER2- em estágio inicial demonstrou reduzir em aproximadamente 19,1% o risco de morte de pacientes, em comparação com a hormonioterapia isolada. Os resultados do estudo de fase 3, batizado de NATALEE, foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, e acompanharam cerca de 5 mil pacientes de 20 países, incluindo o Brasil. Este subtipo de câncer de mama representa cerca de 60% a 70% dos casos mundialmente.

O estudo dividiu as participantes em dois grupos: um recebeu apenas hormonioterapia, tratamento que visa bloquear a produção ou ação de hormônios para impedir o crescimento de células cancerígenas. O outro grupo, além da hormonioterapia, recebeu o Kisqali, nome comercial do ribociclibe, um medicamento que atua bloqueando o ciclo celular, processo essencial para a duplicação do DNA e divisão celular, inibindo assim a proliferação dos tumores.

Benefício na Sobrevida Global e Livre de Doença

O oncologista Carlos Barrios, um dos principais investigadores internacionais do estudo, destacou o benefício observado na sobrevida global das pacientes. Ele explicou que, embora a maioria dos casos de câncer de mama seja diagnosticada em estágio localizado, com possibilidade de cura, o tratamento adjuvante, como a hormonioterapia administrada por cinco a dez anos após o tratamento inicial, é crucial para diminuir o risco de recorrência. A hormonioterapia, na verdade, é anti-hormonal, pois impede que hormônios estimulem células receptoras de hormônio.

A combinação com ribociclibe não só reduziu recorrências e metástases, mas também impactou positivamente a sobrevida das pacientes após cerca de 5 a 6 anos de acompanhamento. A abordagem aumentou a sobrevida livre de doença invasiva, que passou de 4,1% em cinco anos para 5,3% em seis anos. Esse benefício se manteve mesmo anos após o término do tratamento, com pacientes sem usar o Kisqali há uma mediana de três anos.

Acesso e Diagnóstico Precoce

O Kisqali já foi aprovado por autoridades regulatórias em mais de 100 países, incluindo FDA e Comissão Europeia. No Brasil, a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS) está sob avaliação da Conitec. Barrios enfatizou a importância do acesso a tratamentos que melhoram a sobrevida, especialmente considerando as opções limitadas de inibidores de CDK4/6 no SUS.

O especialista ressaltou que, apesar dos avanços terapêuticos, o diagnóstico precoce continua sendo o fator mais importante para aumentar as chances de cura do câncer de mama. A identificação da doença em estágios iniciais permite tratamentos mais eficazes e com menor risco de complicações. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama anualmente no Brasil para o triênio 2026-2028. A mamografia é indicada a partir dos 40 anos, mas mulheres com histórico familiar ou mutações genéticas devem iniciar o rastreamento mais cedo.

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