Cobli foca em clientes enterprise e câmeras com IA para crescer no Brasil

Destaques
- •Startup de IoT para frotas, Cobli, ajusta estratégia para focar em clientes de grande porte e novas tecnologias.
- •A empresa projeta crescimento de 35% em 2024 e busca atingir o 'Rule of 40' em 18 meses, com foco em eficiência e lucratividade.
- •Próximos passos incluem o lançamento de novas câmeras com IA embarcada e expansão para a América do Sul a partir de 2028.
A Cobli, startup especializada em sensores e Internet das Coisas (IoT) para gestão de frotas e equipamentos, anuncia uma nova fase de crescimento após ajustes estratégicos focados em clientes de grande porte (enterprise) e no desenvolvimento de tecnologias inovadoras. A empresa, que já levantou R$ 100 milhões com o IFC e conta com o investimento do SoftBank, busca consolidar sua posição no mercado brasileiro e planeja expandir para a América do Sul a partir de 2028.
A mudança de foco para clientes enterprise já reflete nos resultados da companhia. Atualmente, 40% da base de clientes da Cobli é composta por empresas de grande porte, com contratos que podem envolver de 2 mil a 3 mil câmeras e valores mensais na casa das centenas de milhares de reais. A meta é que essa fatia chegue a 60% até o final de 2024 e 80% em médio prazo, com foco em setores como energia, utilities, construção, agronegócio e transporte. A empresa afirma já atender os cinco maiores players em cada um desses setores.
Reorganização interna e metas de crescimento
Em 2023, a Cobli projetou um crescimento de cinco vezes em três anos, meta que, segundo o cofundador Parker Treacy, foi quase alcançada, com um aumento de quase quatro vezes. O executivo atribui parte do resultado aquém do esperado a um foco maior na construção de equipe e eficiência nos últimos 18 meses, em detrimento do crescimento acelerado da receita bruta (top line).
Para 2024, a projeção é de um crescimento de 35%, com o objetivo de atingir o chamado "Rule of 40" – um indicador de saúde financeira que soma a taxa de crescimento da receita e a margem de lucro – em 18 meses. A companhia já ultrapassou R$ 100 milhões em receita recorrente anual e está próxima do ponto de equilíbrio (breakeven), com caixa suficiente para evitar novas captações no curto prazo. A estratégia no Brasil prioriza a lucratividade e um crescimento sustentável acima de 40% ao ano.
Mudança de liderança e foco em hardware
Um dos pilares da nova fase da Cobli foi a reorganização interna e a troca da camada de liderança. A estrutura, antes moldada para uma startup, precisou ser adaptada para suportar o crescimento e a complexidade de lidar com clientes enterprise. A empresa contratou executivos com experiência em empresas maiores, como Felipe Ivo (ex-CRO da Conta Azul) para a posição de CRO, Eduardo Rodrigues (ex-QuintoAndar e Conta Azul) para vendas, Estênio Lago (ex-Conta Simples) para produto, e Thais Freitas.
Na frente técnica, a prioridade é montar o que Parker Treacy descreve como o "melhor time de hardware do Brasil". A empresa está investindo pesadamente em recrutamento, com 80% do tempo da equipe dedicado a essa frente, e já concluiu 80% da reformulação. A meta é ter equipes fora do Brasil a partir de 2028.
Visão computacional e processamento embarcado
O ajuste mais significativo no produto é a transição da telemetria tradicional para soluções baseadas em visão computacional, com câmeras inteligentes. A Cobli passou a desenvolver seus próprios equipamentos internamente, importando componentes, para equipar suas câmeras com modelos de linguagem que rodam offline. A ideia é que a câmera funcione como um "robô" na gestão da equipe de campo, oferecendo feedback direto ao motorista sem a necessidade de intervenção do gestor.
A próxima geração de câmeras da Cobli terá uma capacidade de processamento dez vezes maior. Essa mudança visa acelerar a implementação de novas funcionalidades, reduzindo o tempo de seis a oito meses para apenas duas semanas. O processamento embarcado (edge computing) é visto como o novo gargalo do setor, superando a complexidade do desenvolvimento de software. A empresa aposta na produção de dados únicos, gerados por suas soluções, como um diferencial competitivo em um mercado onde o software tende a se tornar uma commodity.
Matérias originais
- Cobli ajusta foco e equipe para “destravar” crescimento · startups.com.br



