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Citi rebaixa Magazine Luiza e eleva Alpargatas após vitória de Lula

04 de novembro de 2026
Citi rebaixa Magazine Luiza e eleva Alpargatas após vitória de Lula

Destaques

  • •Banco Citi ajusta recomendações de varejo após resultado eleitoral inesperado e alta dos juros futuros.
  • •Magazine Luiza (MGLU3) tem recomendação cortada para Neutra/Alto Risco e preço-alvo reduzido de R$ 14 para R$ 6.
  • •Alpargatas (ALPA4) sobe para Compra, beneficiada por resiliência da marca Havaianas e exposição internacional.

O banco de investimentos Citi revisou suas recomendações para o setor de varejo brasileiro após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato como presidente. Em uma análise que considera o cenário de juros elevados por mais tempo, o Citi rebaixou a recomendação das ações do Magazine Luiza (MGLU3) de Compra/Alto Risco para Neutra/Alto Risco, e elevou a recomendação da Alpargatas (ALPA4) de Venda para Compra.

A decisão de rebaixar o Magazine Luiza está atrelada à sua alavancagem e sensibilidade aos custos de financiamento em um ambiente de juros altos. O Citi cortou o preço-alvo das ações MGLU3 de R$ 14 para R$ 6. Os analistas do banco destacam que a inesperada reeleição de Lula provocou uma forte reprecificação dos ativos de risco no Brasil, com as taxas de juros de longo prazo (DI Jan/35) subindo de 12,7% para 15,5% após o segundo turno eleitoral.

Perspectivas para o Varejo e Impacto da Taxa de Juros

Para o Citi, o ano de 2027 deve apresentar custos elevados de serviço da dívida, o que pode pesar sobre o consumo. Embora as projeções de crescimento do PIB (1,4%) e IPCA (4,3%) para 2027 tenham sido mantidas, a taxa de câmbio foi revisada para R$ 5,46 por dólar, ante R$ 5,33. A projeção para a taxa Selic média em 2027 permanece em 13,5%, com cortes graduais previstos para o segundo semestre.

Os analistas do banco aumentaram suas premissas para o custo do serviço da dívida, especialmente para empresas mais alavancadas, refletindo o risco de um ambiente de juros elevados por mais tempo. Essa condição torna o caminho para uma reprecificação sustentável das ações do Magazine Luiza menos claro, mesmo com um ambiente competitivo mais favorável.

Alpargatas: Resiliência e Oportunidades Internacionais

Em contrapartida, a recente desvalorização das ações da Alpargatas melhorou sua relação risco-retorno. O Citi avalia que a companhia combina a resiliência da marca Havaianas com uma exposição significativa a mercados internacionais e exportações. Além disso, a empresa apresenta um balanço sólido e uma execução consistente.

Apesar de as ações da Alpargatas continuarem negociando com um prêmio em relação a seus pares, o Citi considera que esse prêmio é justificado pelo bom momento operacional e pelas características defensivas da companhia. A empresa se beneficia de um cenário onde o banco prefere ativos com perfis de demanda resilientes e diversificação geográfica.

Preferências do Citi no Setor de Varejo

Enquanto o governo não apresentar um arcabouço fiscal mais crível, o Citi vê espaço limitado para uma reavaliação significativa das ações do setor de varejo. Por isso, o banco optou por favorecer empresas com perfis de demanda resilientes, diversificação geográfica, exposição a exportações e balanços sólidos, com políticas de dividendos claras.

As empresas preferidas do Citi no setor, em ordem de preferência, são: Smart Fit (SMFT3), Alpargatas (ALPA4), Vivara (VIVA3) e Lojas Renner (LREN3). O banco ressalta que, embora goste do posicionamento de longo prazo da Lojas Renner, o momentum de curto prazo pode ser pressionado por um consumo mais fraco e pela concorrência internacional.

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