CIOs brasileiros priorizam IA, mas enfrentam restrições orçamentárias em 2027

Destaques
- •Inteligência Artificial (IA) é a principal aposta de investimento para 81% dos CIOs brasileiros em 2027, mas orçamentos limitados e infraestrutura de TI representam grandes desafios.
- •Apesar da alta prioridade em IA, 65% dos líderes de TI preveem orçamentos estáveis ou com crescimento máximo de 10%, forçando escolhas difíceis sobre onde alocar recursos.
- •A pesquisa aponta a necessidade de escolher prioridades, otimizar a capacidade interna e tratar dados, segurança e infraestrutura como pilares fundamentais para o sucesso da IA.
A inteligência artificial (IA) se consolidou como prioridade máxima para os líderes de tecnologia no Brasil, mas a ambição de investimento para 2027 esbarra em orçamentos limitados e desafios de infraestrutura. Uma pesquisa prévia do IT Forum Inteligência com 106 CIOs de grandes empresas brasileiras revelou que 81% pretendem aumentar significativamente os investimentos em IA generativa e agentes, tornando-a a principal aposta. No entanto, 65% dos CIOs preveem que o orçamento de TI em 2027 ficará estável, diminuirá ou crescerá no máximo 10%, enquanto apenas 14% esperam uma expansão superior a 20%.
O descompasso entre a urgência da IA e a disponibilidade de recursos financeiros exige escolhas estratégicas. Em empresas com orçamentos mais apertados, a manutenção e sustentação de sistemas consomem uma fatia maior do budget (32,7%), reduzindo o espaço para crescimento e inovação (16,2%). Isso significa que o dinheiro destinado a novas iniciativas, como a IA, precisa disputar espaço com os custos operacionais.
Desafios além da tecnologia
A principal preocupação dos CIOs para 2027 não é uma tecnologia específica, mas sim a capacidade de entregar resultados na velocidade esperada pelo negócio (60%). A cibersegurança (56%) e a capacidade da própria estrutura de TI para lidar com os desafios da IA (55%) também aparecem como pontos críticos. Juntos, velocidade e estrutura somam 83% das preocupações, com 32% citando ambas.
Essa falta de capacidade se reflete em outras áreas. Por exemplo, 48% dos executivos que querem acelerar em IA não colocam dados, analytics e BI entre suas frentes de crescimento forte, apesar de a integração e qualidade desses dados serem cruciais para o avanço da IA. Da mesma forma, a cibersegurança preocupa 56% dos CIOs, mas apenas um a classifica como principal aposta de investimento, com 61% pretendendo manter ou aumentar pouco os aportes na área.
Mudanças na abordagem da IA
A pesquisa também identificou sinais de que a forma como a IA é tratada está evoluindo. Uma mudança notável é a transição dos copilotos para os agentes autônomos ou arquiteturas agênticas, citados por 18% dos executivos. Além disso, a cobrança por resultados mensuráveis em IA, como adoção, escala e retorno sobre o investimento (ROI), está crescendo, indicando uma passagem da fase de experimentação para a de geração de valor.
A governança da IA também ganha destaque, aparecendo em 13% das respostas abertas e já sendo um projeto formal para 8% dos CIOs. À medida que a adoção aumenta, a necessidade de controles sobre risco, responsabilidade e uso da tecnologia se torna mais premente.
Capacidade de execução em foco
Para 2027, a pesquisa sugere três movimentos essenciais para os CIOs: escolher onde concentrar recursos, pois a pulverização de projetos com orçamento restrito aumenta o risco de avanços limitados em diversas frentes; buscar capacidade dentro da própria operação, revisando contratos, sistemas e fornecedores para otimizar o orçamento atual antes de pedir mais verba; e tratar a fundação da IA — dados, segurança, infraestrutura e governança — como parte intrínseca da estratégia, e não como agendas paralelas.
O grande desafio para 2027, portanto, não é mais a decisão de investir ou não em tecnologia, mas sim a capacidade de escolher o que financiar, onde alocar infraestrutura e como capacitar as equipes para transformar a IA em resultados concretos de negócio. A pergunta central para o planejamento é: o que estamos dispostos a deixar de fazer para financiar aquilo que realmente consideramos estratégico?



