CIO da All4Labels defende IA como ferramenta de negócio, não solução mágica

Destaques
- •Rita Piciura, CIO da All4Labels para a América Latina, destaca a importância da IA como ferramenta de negócio.
- •Ela enfatiza que a tecnologia por si só não transforma, mas sim as pessoas e a adaptação organizacional.
- •A executiva integra a lista IT Forum Mulheres, que reconhece 35 mulheres na área de tecnologia.
A executiva Rita de Cássia Piciura, atual CIO da All4Labels para a América Latina, defende que a inteligência artificial (IA) deve ser vista como uma ferramenta estratégica de negócio, e não como uma solução universal ou "bala de prata". Sua visão é moldada por uma carreira que começou com a curiosidade de desmontar objetos e evoluiu através de experiências em infraestrutura, data centers e implantações globais em cidades como Londres e Paris.
Rita iniciou sua trajetória profissional em uma época anterior aos atuais service desks, demonstrando desde cedo um interesse em ir além do básico. Sua aptidão para resolver problemas técnicos a levou a transitar da assistência administrativa para a área de infraestrutura e telecomunicações. Apesar de ter almejado inicialmente a mecatrônica, optou por processamento de dados, uma decisão que considera "a mais acertada e menos premeditada" de sua vida, abrindo portas para atuar em data centers e na era dos sistemas de gestão empresarial (ERPs).
A tecnologia é feita de pessoas
A experiência em projetos globais, que a levou a viver em Londres e Paris, ensinou a Rita que a tecnologia, por si só, não é o motor da transformação. "A tecnologia por si só não transforma", afirma. "A diferença está nas pessoas." Compreender o contexto, as resistências e o estado de espírito das equipes é, para ela, tão crucial quanto dominar as ferramentas tecnológicas. Essa percepção se intensificou ao lidar com ambientes predominantemente masculinos na indústria e automação, onde enfrentou questionamentos sobre sua capacidade.
Mais tarde, as barreiras se tornaram mais sutis, com comentários sobre a suposta incompatibilidade entre maternidade e carreira executiva. Rita acredita que vivenciar essas situações a tornou mais empática e atenta à necessidade de criar ambientes verdadeiramente inclusivos, onde a diversidade não seja apenas um número, mas uma realidade integrada.
IA como ferramenta, não solução mágica
Na All4Labels, empresa que cresceu por meio de aquisições, um dos principais desafios de Rita tem sido integrar mais de dez organizações com culturas e maturidades tecnológicas distintas. Ela prefere classificar o processo não apenas como transformação digital, mas como uma transformação organizacional. Essa cautela se estende à inteligência artificial.
Apesar de reconhecer o potencial disruptivo da IA, Rita alerta contra a visão de que ela seja uma solução para todos os problemas. "A IA não é uma bala de prata", ressalta. Em um cenário que demanda respostas rápidas, ela enfatiza a necessidade de os profissionais de tecnologia serem adaptáveis, curiosos e capazes de aprender rapidamente, priorizando a escuta antes da escolha da ferramenta.
Se pudesse aconselhar a si mesma no início da carreira, Rita daria duas lições: "Não precisa ser fácil, basta ser possível", um lema que já conhecia, e "Não é necessário estar sempre pronta para assumir um desafio", aprendendo que parte da preparação ocorre durante o percurso.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na CONTRIBUCIONES A LAS CIENCIAS SOCIALES em 2025, intitulado "O impacto da Inteligência Artificial (IA) no mundo corporativo: tomada de decisões baseadas em dados", analisou como a IA influencia a eficiência operacional, a inovação e a competitividade nas organizações. A pesquisa, baseada em uma revisão crítica da literatura entre 2022 e 2025, indica que a IA contribui para ganhos de eficiência e agilidade na tomada de decisão.
Entretanto, o estudo também aponta limitações como altos custos de implementação, riscos de viés algorítmico e a exclusão de pequenas e médias empresas. O tempo médio de transição para decisões baseadas em dados varia entre um e três anos, dependendo da maturidade digital das empresas. A adoção sustentável da IA, segundo a pesquisa, requer estratégias adaptativas, formação contínua e políticas inclusivas para democratizar seu acesso.
Rita Piciura integra a lista IT Forum Mulheres, do IT Forum Inteligência, que destaca 35 mulheres proeminentes na área de tecnologia.
Pesquisa citada
- O impacto da Inteligência Artificial (IA) no mundo corporativo: tomada de decisões baseadas em dados
CONTRIBUCIONES A LAS CIENCIAS SOCIALES · 2025
Matérias originais
- IT Forum Mulheres: Rita Piciura aprendeu cedo a desmontar as coisas · itforum.com.br



