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Cientistas identificam novo tipo de depressão ligada ao relógio biológico

21 de outubro de 2026
Cientistas identificam novo tipo de depressão ligada ao relógio biológico

Destaques

  • •Um novo subtipo de depressão, denominado depressão circadiana, foi identificado por cientistas australianos.
  • •A condição afeta cerca de 25% dos pacientes com depressão severa e está associada a sintomas mais graves e início precoce da doença.
  • •A descoberta pode levar a tratamentos mais eficazes para pacientes que não respondem bem às terapias convencionais.

Um time de cientistas australianos identificou um novo subtipo de depressão, a depressão circadiana, que afeta aproximadamente uma em cada quatro pacientes com a doença. Segundo os pesquisadores, problemas no relógio biológico, que regula funções como o ciclo de sono-vigília, podem contribuir para o agravamento da saúde mental.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica British Journal of Psychiatry. A depressão circadiana é caracterizada por sono interrompido, baixa energia e atividade física reduzida durante o dia. Pacientes com este tipo de depressão tendem a apresentar sintomas mais severos, que se iniciam em idades mais jovens em comparação com outros tipos da doença.

Critérios e características da depressão circadiana

O estudo envolveu 11.380 pessoas com depressão severa, das quais 2.604 se enquadraram em pelo menos três de seis critérios propostos. Estes critérios incluem humor relacionado a mudanças na luz e nas estações do ano, e o chamado jet lag social, que é o descompasso entre o relógio biológico e o calendário social.

Estudos anteriores já haviam apontado a relação entre o relógio biológico e a depressão. Este ciclo, controlado pelo cérebro, regula o sistema de sono-vigília, além de estar associado a hormônios e à digestão. Pessoas com o processo desregulado podem apresentar ganho de peso, piora na concentração e dificuldade para dormir.

Impacto e implicações do novo subtipo

A pesquisadora Emiliana Tonini explicou que indivíduos com depressão circadiana apresentam sintomas de saúde mental mais graves. "A idade de início da depressão foi mais precoce em comparação com aqueles que apresentam depressão não circadiana; além disso, eles tiveram mais episódios, trajetórias mais complexas, maior propensão ao suicídio e mais sintomas hipomaníacos e de natureza psicótica", afirmou em comunicado à imprensa.

Pacientes com o novo subtipo de depressão também demonstraram maior risco genético para TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e desordens de humor. Além disso, apresentaram uma série de marcadores inflamatórios e metabólicos. Uma das implicações mais importantes é que esses pacientes tendem a não responder tão bem aos medicamentos tradicionais contra a depressão.

Limitações e próximos passos da pesquisa

Apesar da relevância da descoberta, o estudo é considerado preliminar. A pesquisa inicial analisou apenas pessoas com ascendência europeia, o que limita a generalização dos resultados. Novos levantamentos deverão incluir amostras mais diversas para confirmar as descobertas.

A pesquisa também não incluiu dados sobre os impactos hormonais da menopausa, que também interferem no ciclo circadiano. A identificação deste subtipo de depressão, no entanto, pode ser um passo crucial para direcionar o tratamento para alternativas mais eficazes, personalizando o cuidado para pacientes com características específicas.

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