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Cientistas detectam sinais em escala 100 bilhões de vezes menor que um átomo

04 de novembro de 2026
Cientistas detectam sinais em escala 100 bilhões de vezes menor que um átomo

Destaques

  • •Pesquisadores do CERN detectaram interações em uma escala sem precedentes, apelidada de 'zeptoverso'.
  • •A descoberta pode auxiliar na compreensão da matéria escura, um dos maiores mistérios do Universo.
  • •Cortes no financiamento do Reino Unido ameaçam a participação do país em futuras descobertas e a formação de jovens cientistas.

Cientistas liderados por pesquisadores de Cambridge, no Reino Unido, detectaram sinais na menor escala da natureza já explorada, 100 bilhões de vezes menor que um átomo. O feito, realizado em experimentos no Grande Colisor de Hádrons (LHC) da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), abre portas para a exploração do chamado 'zeptoverso', uma dimensão subatômica que pode conter chaves para desvendar a misteriosa matéria escura.

A matéria escura, que compõe cerca de 25% do universo, não interage com a luz e sua existência é inferida apenas por seus efeitos gravitacionais. A capacidade de observar e analisar interações em escalas tão ínfimas, como a do quark beauty (ou quark bottom), que decai em 1,5 trilionésimo de segundo, pode revelar novas partículas e fenômenos fundamentais para uma teoria mais completa do universo.

Explorando o Zeptoverso

O zeptoverso refere-se a uma escala de medida de um trilionésimo de um bilionésimo de metro. Nesse ambiente extremo, os cientistas acreditam que as partículas são mais sensíveis à matéria escura. Ao analisar os fragmentos de colisões de alta energia no LHC, a equipe conseguiu detectar a interação de partículas em uma escala de um sextilionésimo de metro.

"Estamos batendo às portas desse zeptoverso", afirmou o físico Harry Cliff, da Universidade de Cambridge, que liderou a análise dos dados. Ele explicou que a observação do comportamento de partículas subatômicas, como o decaimento do quark beauty, permite um vislumbre do que pode existir nesse universo minúsculo.

"O que queremos fazer agora é entrar nesse mundo, explorá-lo e descobrir que novas partículas estão à nossa espera. Para isso, precisamos de mais dados", acrescentou Cliff.

Investimento e Cortes no Financiamento

Para aprofundar a pesquisa, os 28 países membros do Cern concordaram em investir 150 milhões de libras (cerca de R$ 1,1 bilhão) na modernização do detector LHCb, que poderia aumentar em dez vezes a frequência de registro de decaimentos de partículas. No entanto, a Agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI) anunciou cortes em seu financiamento para projetos de física de partículas e astronomia, incluindo sua parcela para a modernização do LHCb.

Essa decisão levanta preocupações sobre a participação contínua do Reino Unido em descobertas científicas de ponta. Tim Gershon, professor que coordena a colaboração científica internacional do LHCb, alertou que o país corre o risco de ficar de fora de avanços importantes e de perder os benefícios da formação de jovens pesquisadores.

Impacto na Carreira Científica

Os cortes no financiamento já afetam a carreira de jovens cientistas. Mary Richardson-Slipper, integrante da equipe que descobriu o zeptoverso, está considerando buscar oportunidades no exterior devido à escassez de perspectivas no Reino Unido. Ela relatou que muitos de seus colegas na pesquisa em física fundamental já se mudaram para outros países.

O físico e apresentador de TV Brian Cox criticou a decisão de cortar o financiamento, classificando-a como um risco à liderança científica britânica e um prejuízo à reputação internacional do país. A UKRI, por sua vez, afirmou que o Reino Unido continua sendo o segundo maior financiador do Cern, com uma contribuição anual de cerca de 175 milhões de libras (aproximadamente R$ 1,3 bilhão), e que os investimentos estão sendo direcionados para um conjunto promissor de novas infraestruturas em áreas como energia limpa e diagnóstico por imagem.

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