UBS BB reduz projeção de IPOs no Brasil após eleição de Lula

Destaques
- •UBS BB projeta 50 IPOs no Brasil nos próximos três anos, metade da estimativa anterior, devido a incertezas fiscais com a reeleição de Lula.
- •Apesar da revisão, o banco mantém viés positivo, destacando o interesse de investidores estrangeiros e o potencial de setores como infraestrutura e tecnologia.
- •Mercado de M&A também tem projeção de crescimento reduzida, mas pode ser impulsionado por sinalizações fiscais positivas do novo governo.
O UBS BB revisou suas projeções para o mercado de capitais brasileiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reduzindo a expectativa de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs). Antes do segundo turno das eleições presidenciais, o banco projetava 120 potenciais IPOs em três anos. Com o resultado das urnas, que trouxe de volta preocupações com a condução fiscal do país, a nova estimativa do UBS BB aponta para cerca de 50 IPOs no Brasil nos próximos três anos.
Apesar da redução, Anderson Brito, diretor de investment banking do UBS BB, afirma que o cenário está longe de ser de "terra arrasada" e que o mercado tende a se acomodar após o governo apresentar indicações sobre a equipe econômica e as políticas fiscais. "Seguimos com viés positivo para o Brasil", declarou Brito em entrevista ao NeoFeed, ressaltando que investidores internacionais demonstram menos preocupação com o novo mandato de Lula, pois já conhecem seu modus operandi.
Pipeline de ofertas e setores atrativos
O UBS BB estima um volume de ofertas de ações em torno de R$ 48 bilhões para 2027, sendo aproximadamente R$ 35 bilhões em follow-ons (ofertas subsequentes de ações) e entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões em IPOs. Para 2024, a projeção é de cerca de 10 estreias na bolsa.
Os setores com maior potencial para atrair essas operações incluem infraestrutura (saneamento, energia, rodovias), setor financeiro, commodities e tecnologia, especialmente empresas de alto crescimento (high growth). Nomes como QI Tech, Wellhub (antiga GymPass) e Live Nation são citados como "candidatas naturais" a IPOs, assim como empresas estaduais de saneamento e concessionárias de rodovias como a EPR.
Segundo Brito, o Brasil oferece um mercado grande, setores com baixa penetração e empresas com "arbitragem de valuation" em relação ao exterior, o que representa um ponto de entrada importante para investidores estrangeiros.
Impacto em Fusões e Aquisições (M&A)
As perspectivas para o mercado de fusões e aquisições (M&As) também foram revisadas. A projeção de crescimento anual passou de mais de 30% para cerca de 10%. No acumulado do ano até outubro, o mercado de M&A no Brasil registrou um crescimento de 16,4%.
Brito não descarta uma revisão para cima dessa estimativa caso o novo governo apresente sinalizações fiscais mais positivas. "Em vez de vermos um avanço de 10% em M&A, poderíamos ver algo na casa dos 20%", afirmou. A escolha do ministro da Fazenda é vista como um ponto crucial, com o nome de Rafael Fonteles sendo elogiado por sua competência fiscal.
Em contrapartida, o empresário Eduardo Peres, CEO da Multiplan, expressou cautela. A empresa, que teve suas ações impactadas negativamente após o resultado eleitoral, adota uma postura de espera em relação a novos investimentos em shoppings, devido à incerteza sobre a condução fiscal do governo. Peres ressalta a importância do "juízo fiscal" e teme um aumento da dívida pública e dos juros.



