China condiciona compra de agrícolas dos EUA à redução de tarifas

Destaques
- •Pequim afirma que só ampliará compras de produtos agrícolas americanos se houver acordo para redução mútua de tarifas.
- •Acordo proposto prevê US$ 17 bilhões em importações agrícolas dos EUA em 2024, mas plano ainda não foi finalizado.
- •Grupo de trabalho agrícola entre os dois países deve se reunir antes do fim do ano para discutir os termos.
A China reiterou nesta quinta-feira (5) sua disposição em aumentar a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos, mas condicionou a medida à implementação de um acordo de redução recíproca de tarifas entre os dois países. A declaração do Ministério do Comércio chinês sinaliza que as concessões tarifárias continuam sendo um ponto crucial para Pequim nas negociações comerciais.
Após uma cúpula entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump em setembro, as partes propuseram um pacote de reduções tarifárias mútuas no valor de US$ 60 bilhões. Deste montante, cerca de US$ 17 bilhões seriam destinados à importação de produtos agrícolas dos EUA pela China em 2024. No entanto, o plano ainda não foi finalizado.
Condições para o acordo agrícola
O porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Huang Ling, afirmou que a China tem se mostrado consistentemente aberta a ampliar as compras de produtos agrícolas americanos. Contudo, a condição é que ambas as nações implementem um acordo de redução tarifária recíproca, descrito como 'US$ 30 bilhões por US$ 30 bilhões'.
Huang Ling acrescentou que a China espera a colaboração dos EUA para reduzir tarifas, diminuir barreiras não tarifárias e ampliar o acesso ao mercado chinês para produtos americanos.
Compras atuais e incertezas
Em maio, a Casa Branca informou que Pequim havia concordado em comprar US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA anualmente a partir de 2026, com a meta deste ano ajustada proporcionalmente. Essas compras se somam a um compromisso anterior, de outubro do ano passado, para a aquisição de soja dos EUA.
Uma análise da Reuters indica que a China está a caminho de cumprir sua meta de compra de soja. No entanto, entre janeiro e setembro, o país adquiriu apenas US$ 7,2 bilhões em outros produtos agrícolas americanos, como carne e milho. Esse valor representa o nível mais baixo para o período desde 2019, auge da primeira guerra comercial entre os dois países.
A incerteza persiste quanto ao início da contagem do prazo para o acordo de US$ 17 bilhões em produtos não relacionados à soja. A Casa Branca não esclareceu se o prazo começou com o anúncio de maio ou se só terá início após a finalização dos cortes tarifários propostos pela China.
Próximos passos e pressão sobre agricultores
Para tentar destravar o acordo, os dois lados criaram um grupo de trabalho agrícola, que deve se reunir antes do fim do ano. A expectativa é que essa reunião possa trazer avanços nas negociações.
O ritmo lento das compras tem gerado dúvidas sobre um aumento acentuado das importações agrícolas americanas ainda este ano. Isso aumenta a pressão sobre os agricultores dos EUA, que já enfrentam altos custos com combustível e outras despesas. Operadores do mercado ouvidos pela Reuters afirmam que tarifas mais baixas seriam necessárias para tornar as compras em grande escala comercialmente viáveis.



