Chile enfrenta crise econômica com PIB em queda e desemprego em alta sob governo Kast

Destaques
- •Chile registra retração de 0,3% no PIB no terceiro trimestre de 2026 e desemprego atinge 9,6%.
- •Governo lança programa de R$ 1,3 bilhão em investimentos públicos para tentar reativar a economia.
- •FMI reduz previsão de crescimento do PIB chileno para 0,6% em 2026; presidente Kast tem mais de 60% de desaprovação.
Em apenas sete meses de mandato, o presidente do Chile, José Antonio Kast, eleito com a promessa de reduzir o Estado e cortar impostos, enfrenta uma grave crise econômica. O país registrou retração de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2026, após uma queda de 0,2% no período anterior. O desemprego também subiu, atingindo 9,6% em 12 meses, um aumento de 1 ponto percentual. Diante do cenário, Kast lançou no final de setembro um programa de investimentos públicos de 1,3 bilhão de pesos chilenos (aproximadamente R$ 7,5 bilhões) para tentar reativar a economia e gerar empregos.
Programa de investimentos públicos
O plano de Kast prevê investimentos em obras de infraestrutura, subsídios para a criação de novos postos de trabalho e apoio ao financiamento de empresas. O objetivo é estimular a economia que vem sofrendo com a queda na produção de cobre, principal item de exportação do país, e com o aumento dos preços dos combustíveis, cujos custos fiscais impediram a intervenção do governo.
O governo chileno, que tomou posse em março deste ano, havia prometido um plano de austeridade com corte de 3% nas despesas do Estado e redução de impostos para empresas, seguindo um modelo semelhante ao adotado por Donald Trump nos EUA e Javier Milei na Argentina. No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já reduziu sua previsão de crescimento do PIB chileno para 2026 de 1,8% para 0,6%, o segundo pior resultado da América do Sul.
Cortes de gastos e impacto na mineração
A agenda de austeridade de Kast, que admirava a ditadura de Augusto Pinochet, previa uma redução de 3% nos gastos estatais. Relatórios iniciais indicaram cortes de despesas na ordem de 2 trilhões de pesos, cerca de 0,6% do PIB. Levantamento do jornal chileno The Clinic apontou que os cortes ultrapassaram US$ 1,4 bilhão, com maiores reduções nas áreas de saúde (413 bilhões de pesos), habitação (200 bilhões), educação (197 bilhões) e trabalho (141 bilhões).
O especialista em Chile e professor de economia da UFRRJ, Fernando Henrique Lemos Rodrigues, argumenta que o corte de gastos prejudica uma economia já fragilizada. Ele destaca que o cobre, que representa entre 40% e 50% das exportações chilenas, enfrenta dificuldades devido ao esgotamento de minas, problemas tecnológicos, eventos climáticos extremos e reivindicações salariais de trabalhadores.
Críticas e desaprovação popular
Segundo Rodrigues, o governo corta impostos de empresas ao mesmo tempo em que reduz despesas sociais, o que resulta em perda de receita estatal sem o consequente aumento do investimento privado. Ele explica que, em momentos de incerteza, o capital tende a ser direcionado para aplicações financeiras, saindo do circuito econômico.
A Fundação Horizonte Cidadão alertou que os cortes no orçamento de 2027 devem prejudicar 48 programas sociais voltados à população mais pobre. O Centro de Investigação Jornalística (CIPER) do Chile registrou que os resultados contrastam com a promessa de campanha de Kast de reduzir gastos fiscais sem cortar benefícios sociais. Os cortes na educação têm gerado protestos de estudantes, e o presidente registra mais de 60% de desaprovação popular.
Matérias originais
- Política de austeridade de Kast aumenta desemprego e provoca queda do PIB no Chile · operamundi.uol.com.br



