ChatGPT: Falha permitia acesso a conversas privadas em segundos

Destaques
- •Vulnerabilidade no ChatGPT expunha conversas privadas e arquivos de usuários.
- •A falha, explorada em 4,5 segundos, utilizava uma biblioteca de código aberto e não exigia downloads.
- •OpenAI corrigiu a falha entre 22 e 26 de outubro, sem necessidade de troca de senhas pelos usuários.
Uma falha de segurança na versão web do ChatGPT permitia que invasores acessassem conversas privadas, arquivos enviados e dados de contas de usuários com um simples clique em um link. A vulnerabilidade, descoberta pela empresa de segurança Parameter, podia ser explorada em apenas 4,5 segundos, sem a necessidade de downloads, comandos ou autorização de aplicativos. Para que o ataque funcionasse, a vítima precisava estar conectada à plataforma durante a navegação.
O ataque iniciava com o envio de links para conversas públicas do ChatGPT por e-mail, redes sociais ou mensagens privadas. Apesar da aparência inofensiva, os endereços acionavam um código malicioso executado sob o domínio oficial chatgpt.com. Com as mesmas permissões da página, o script conseguia consultar o histórico de conversas, ler mensagens antigas, acessar documentos anexados e modificar configurações da conta em segundo plano.
Como a falha funcionava
A vulnerabilidade explorava uma falha na biblioteca de código aberto MathLive, utilizada pelo ChatGPT para exibir gráficos matemáticos interativos e teclados virtuais. O recurso de prévia de HTML da plataforma aceitava mensagens sem verificar a origem do conteúdo ou filtrar os blocos de código recebidos. A OpenAI possuía regras para bloquear a execução de códigos de terceiros, mas abria exceções para serviços parceiros considerados confiáveis, como o YouTube.
Os pesquisadores aproveitaram essa brecha e usaram uma resposta da plataforma de vídeos como intermediária para rodar o script malicioso. Dessa forma, conseguiam enviar trechos das conversas dos usuários para um servidor externo à plataforma, sem que a vítima percebesse.
Correção e impacto
A OpenAI recebeu o alerta sobre a falha em 18 de outubro e conseguiu reproduzir o ataque em um ambiente controlado. A empresa elevou a classificação de gravidade do incidente para o nível máximo de prioridade (P1) e implementou as correções nos servidores entre 22 e 26 de outubro. Os pesquisadores responsáveis pela descoberta foram recompensados com US$ 5 mil.
A equipe responsável pela MathLive também lançou uma atualização da biblioteca, que agora verifica a origem das mensagens por padrão e bloqueia comandos enviados por telas externas. Segundo os pesquisadores, não há indícios de que a vulnerabilidade tenha sido explorada contra usuários comuns, com os testes ocorrendo apenas entre contas controladas pelos especialistas em segurança.
Como a OpenAI corrigiu o problema diretamente nos servidores da plataforma, os usuários não precisam trocar senhas ou alterar configurações de suas contas para se proteger.



