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Centrão articula ministérios para o 4º mandato de Lula; PSD mira Agricultura

04 de novembro de 2026
Centrão articula ministérios para o 4º mandato de Lula; PSD mira Agricultura

Destaques

  • •Partidos do Centrão e aliados já apresentam nomes para compor o futuro ministério de Lula, com foco em garantir governabilidade.
  • •O PSD busca manter o Ministério da Agricultura, pasta cobiçada por seu potencial de emendas e influência regional, com nomes como André de Paula e Carlos Fávaro cotados.
  • •A definição dos ministérios deve ganhar força após o retorno de Lula da COP-31 e a expectativa é de anúncios a partir de dezembro.

A articulação para a formação do futuro ministério do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está em curso, com partidos do Centrão apresentando indicações para compor a Esplanada dos Ministérios. O objetivo principal é garantir a governabilidade, antes mesmo de atender às demandas internas do PT e de outras correntes de esquerda.

O Partido Progressista (PP), em federação com o União Brasil, ventila os nomes de Aguinaldo Ribeiro e Daniella Ribeiro. Daniella foi eleita senadora, enquanto Aguinaldo é tio de Lucas Ribeiro, governador da Paraíba, que apoiou Lula e trabalhou pela neutralidade do PP no primeiro turno. No segundo turno, o partido declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas uma ala dissidente permaneceu com Lula.

Pelo Republicanos, Silvio Costa Filho, ex-titular da pasta de portos e aeroportos no governo Lula e próximo ao presidente, é um dos nomes mais fortes. O deputado Moses Rodrigues (CE) também é uma indicação da bancada.

PSD mira Ministério da Agricultura

O Partido Social Democrático (PSD) almeja manter o Ministério da Agricultura, pasta tradicionalmente controlada por legendas do centro. Entre os cotados para assumir o ministério estão o atual ministro, André de Paula, e o ex-ministro senador Carlos Fávaro. O PSD espera manter pelo menos três ministérios e busca pastas com força regional.

A Agricultura agrada ao PSD pelo volume de emendas parlamentares disponíveis para obras e compra de máquinas agrícolas, além das 27 superintendências estaduais. A manutenção da pasta pelo PSD é vista como vantajosa, pois o partido se manteve neutro no segundo turno e seus representantes encamparam a reeleição de Lula.

A volta de Fávaro ao ministério é bem-vista por segmentos do agronegócio e exportadores, e ele é considerado próximo a Lula. No entanto, sua relação com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) foi marcada por conflitos. André de Paula, que assumiu a pasta em abril, busca a permanência e é visto como um conciliador político com boa relação com a bancada da agropecuária. Contudo, ele tem sido cobrado por maior participação em temas do agronegócio e criticado pelo suposto enfraquecimento do ministério.

Outros partidos e nomes em negociação

No MDB, a expectativa é que Helder Barbalho seja acolhido como ministro, remanescente da ala governista que se opôs ao apoio majoritário do partido a Flávio Bolsonaro no segundo turno.

O PSD também circula com os nomes do deputado Antônio Brito (BA), líder da bancada, e de Alexandre Silveira, atual ministro de Minas e Energia, cotado para permanecer no cargo. O partido teve papel relevante na eleição em Minas Gerais.

Eduardo Paes, aliado de Lula, também é considerado um quadro importante para futuras eleições no Rio de Janeiro.

Próximos passos na formação do governo

As articulações para a montagem da Esplanada dos Ministérios estão em fase inicial e devem ganhar tração após o retorno de Lula da COP-31, na Turquia, onde participa da cúpula de líderes entre 11 e 12 de novembro. A expectativa é de que a divisão de ministérios e o anúncio dos novos ministros comecem a partir de dezembro, podendo se estender até o final do ano.

A escolha dos ministros envolve a organização e participação dos partidos da base aliada e costuras amplas com o Congresso Nacional. Uma eventual manutenção de De Paula ou retorno de Fávaro pode não condizer com a ideia de uma Esplanada com "cara nova", sinalizada pelo governo Lula para o próximo mandato.

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