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Celulares: Minerais essenciais e o papel do Brasil na cadeia produtiva

02 de novembro de 2026

Destaques

  • •Smartphones dependem de minerais como lítio, cobre e terras raras, conectando a indústria eletrônica a cadeias globais de mineração.
  • •Brasil é produtor de lítio e nióbio, mas enfrenta desafios no processamento industrial e na reciclagem de eletrônicos.
  • •A reciclagem de eletrônicos e a economia circular são cruciais para recuperar materiais valiosos e reduzir a dependência de novas extrações.

A complexa composição de um smartphone revela a interconexão entre a tecnologia moderna e a indústria global de mineração. Além de vidro e semicondutores, aparelhos contêm minerais como lítio, cobre, estanho, tântalo, silício e elementos de terras raras, essenciais para suas funcionalidades. A variação na composição entre fabricantes e modelos destaca a importância desses materiais estratégicos.

O lítio é fundamental para as baterias recarregáveis de íons de lítio, permitindo o armazenamento e a liberação de energia. O cobre atua como condutor elétrico, o silício é a base de muitos semicondutores, e elementos de terras raras, como neodímio e praseodímio, são usados em ímãs permanentes para componentes compactos. O tântalo, por sua vez, é empregado em capacitores que controlam variações de tensão em circuitos eletrônicos.

A participação do Brasil na cadeia de suprimentos

O Brasil desempenha um papel na cadeia de suprimentos de matérias-primas para eletrônicos. O país é um grande produtor de lítio, com operações significativas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, cujas reservas de lítio contido foram estimadas em cerca de 642,5 mil toneladas em 2024. A produção nacional está ligada à extração e ao beneficiamento de minerais como o espodumênio.

Outro mineral relevante é o nióbio, do qual o Brasil responde por aproximadamente 93% da produção mundial. Embora conhecido pelo uso em ligas metálicas, o nióbio também tem aplicações em pesquisas e em tecnologias específicas para baterias, como a produção de material para ânodos de íons de lítio com carregamento ultrarrápido, em parceria com a Echion Technologies.

Desafios e oportunidades na reciclagem de eletrônicos

Apesar da produção de matérias-primas, o Brasil enfrenta o desafio de ampliar o processamento industrial e a fabricação de componentes. A mineração urbana, que busca recuperar materiais valiosos de aparelhos descartados, surge como uma oportunidade para reduzir a perda de recursos e diminuir a dependência de novas extrações.

Um celular fora de uso ainda pode conter cobre, ouro, prata, lítio e outros materiais com potencial de recuperação. A Apple, por exemplo, já declara o uso de materiais reciclados em componentes de seus produtos, incluindo lítio e cobalto em baterias, cobre em placas e fiação, estanho em soldas e terras raras em ímãs.

Para que a reciclagem seja eficaz, é crucial que os equipamentos cheguem a sistemas adequados de coleta, desmontagem e reciclagem. A Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree) disponibiliza informações sobre pontos de coleta. O descarte incorreto em lixo doméstico comum ou a desmontagem sem conhecimento técnico devem ser evitados.

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