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Carros voadores: testes avançam e mercado projeta US$ 1 trilhão até 2040

31 de outubro de 2026
Carros voadores: testes avançam e mercado projeta US$ 1 trilhão até 2040

Destaques

  • •Projetos de eVTOLs, como os da Joby Aviation e Eve Air Mobility (Embraer), estão em fase final de certificação e testes, com voos demonstrativos previstos para 2026/2027.
  • •O mercado global de mobilidade aérea urbana é estimado em US$ 1 trilhão até 2040, mas enfrenta desafios regulatórios e tecnológicos, especialmente em baterias e infraestrutura.
  • •O uso em transporte médico e logístico pode ser a porta de entrada para os carros voadores em cidades, antes de se tornarem um transporte de massa acessível.

O futuro com carros voadores, ou eVTOLs (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical), está mais próximo, com projetos avançados em fase de testes e certificação. Especialistas indicam que a tecnologia vai se concretizar, mas a popularização em massa ainda enfrenta obstáculos significativos. A expectativa é que os primeiros voos demonstrativos e experimentais com passageiros ocorram entre o final de 2026 e o início de 2027.

Corrida entre empresas e marcos recentes

Duas das principais empresas no setor são a americana Joby Aviation e a brasileira Eve Air Mobility, um braço da Embraer. Ambas competem para cumprir as exigências de autoridades aeronáuticas como a Anac e a FAA (Federal Aviation Administration dos EUA).

A Joby Aviation trabalha no modelo Joby S4, com capacidade para um piloto e quatro passageiros, utilizando um sistema de propulsão por tilt-rotor. A empresa está na fase final de certificação junto à FAA, com voos de teste realizados por pilotos da agência e demonstrações públicas sob o programa federal eIPP. Recentemente, a Joby realizou voos autônomos experimentais e firmou aliança com a Toyota para viabilizar a produção em massa.

A Eve Air Mobility desenvolve o eVTOL Eve 100, também para um piloto e quatro passageiros, com um design de "lift + cruise" que utiliza rotores dedicados para decolagem e uma hélice traseira para voo horizontal. Este projeto, testado em Gavião Peixoto (SP), completou seus primeiros voos de transição parcial e está coletando dados para o design final. A próxima etapa inclui a fabricação de seis protótipos para a campanha de certificação com Anac, FAA e EASA (Agência Europeia de Segurança da Aviação).

Desafios tecnológicos e regulatórios

O maior gargalo tecnológico para os carros voadores elétricos reside no acúmulo de energia, ou seja, nas baterias. "O peso das baterias ainda é muito alto em comparação à energia que elas oferecem", explica Fernando Martini Catalano, professor da EESC-USP. A necessidade de mais energia implica baterias mais pesadas, o que, por sua vez, exige ainda mais energia, criando um ciclo desafiador.

Além da tecnologia das baterias, outros obstáculos incluem a habilitação dos condutores, o respeito às normas de tráfego aéreo e a integração com a aviação civil e helicópteros. "Você vai ter uma consequência muito mais grave, não só para quem colidiu, mas eventualmente para terceiros também, porque isso vai cair no chão em algum lugar", alerta Fernando Castro Pinto, professor da Poli-UFRJ, sobre a gravidade de colisões em altura.

A barreira regulatória para garantir a segurança desses veículos voadores é considerada mais alta do que o previsto, levando o banco Morgan Stanley a cortar suas estimativas de mercado para 2030. A criação de um arcabouço legal robusto e a capacitação dos futuros operadores são cruciais.

Perspectivas de mercado e próximos passos

O banco Morgan Stanley estima que o mercado global de eVTOLs e Mobilidade Aérea Urbana (UAM) movimente US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) até 2040. No entanto, a projeção para 2030 foi reduzida para US$ 12 bilhões (R$ 60 bilhões) devido às dificuldades regulatórias.

A produção em massa da Eve Air Mobility está planejada para uma fábrica em Taubaté (SP), com capacidade para 480 unidades anuais. A expectativa da empresa é de certificação final e início do serviço comercial entre o final de 2027 e 2028.

Para Fernando Catalano, o transporte médico de urgência (como deslocamento de órgãos e resgate de acidentados) e o frete de cargas podem ser a porta de entrada para os eVTOLs nas cidades, oferecendo uma alternativa mais ágil e acessível que helicópteros. "Não tem sentido andar de carro voador custar tanto quanto de helicóptero. É para ser como se fosse Uber", afirma, ressaltando a necessidade de benefícios práticos para a população.

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