Vida & SaúdeRelevância BR: 9/10

Câncer de Próstata: Brasil registra alta de 20% em mortes em dez anos

01 de novembro de 2026
Câncer de Próstata: Brasil registra alta de 20% em mortes em dez anos

Destaques

  • •O câncer de próstata causou 18,5 mil mortes no Brasil em 2025, um aumento de 20% em relação a uma década atrás.
  • •A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) destaca que o diagnóstico precoce, com 90% de chance de cura, é dificultado pela natureza silenciosa da doença em seus estágios iniciais.
  • •Novas tecnologias como HIFU e crioblação foram aprovadas para uso no SUS em 2026, enquanto a campanha Novembro Azul busca aumentar a conscientização masculina.

O câncer de próstata continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, com um número crescente de óbitos. Em 2025, cerca de 18,5 mil homens morreram vítimas da doença, o que representa uma média de 50 mortes por dia. Este número é 20% maior do que o registrado há dez anos, quando foram contabilizadas 15,4 mil mortes. De 2017 a setembro de 2024, mais de 160 mil mortes pela doença foram registradas no país, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e do Ministério da Saúde.

Diagnóstico precoce: um desafio silencioso

A SBU estima que mais de 77 mil novos casos da doença sejam diagnosticados em 2024, tornando o câncer de próstata o tipo mais comum entre os homens brasileiros. O principal desafio reside na detecção precoce: quando diagnosticada em sua fase inicial, a doença apresenta 90% de chances de cura. No entanto, nessa fase, os sintomas são imperceptíveis.

Os sinais de alerta, como sangue na urina ou sêmen, disfunção erétil e dores ósseas, geralmente surgem apenas quando o tumor já está em estágios mais avançados. "Uma doença silenciosa em suas fases iniciais, como é o câncer de próstata, que oferece nessa fase inicial 90% de chance de cura, ela precisa ser procurada e rastreada, pois esperar que os sintomas apareçam pode levar a uma perda da chance de cura", alerta Roni Carvalho Fernandes, presidente da SBU.

Novembro Azul e a busca por conscientização

A campanha Novembro Azul, promovida pela SBU, visa conscientizar a população masculina sobre os riscos do câncer de próstata e incentivar a busca por prevenção e diagnóstico. "O homem brasileiro, historicamente, se cuida menos do que a mulher. E essa campanha é uma chance para que este homem assuma o protagonismo da sua própria saúde e passe a entender que prevenção e diagnóstico precoce também é uma atitude de homem", explica Fernandes.

Segundo ele, nas últimas duas décadas, tem havido uma mudança cultural importante, com homens buscando mais informações e consultas urológicas com naturalidade. Contudo, o desafio para a SBU ainda é considerado gigante.

Exames e novas tecnologias no SUS

A investigação da doença é feita rotineiramente por meio da medição do nível de PSA (antígeno prostático específico) no sangue e do exame de toque retal. Caso haja suspeita de tumor, o diagnóstico é confirmado por biópsia. A recomendação da SBU é que homens a partir dos 50 anos procurem um urologista. Para aqueles com histórico familiar, homens negros e obesos, o rastreio deve começar aos 45 anos.

Em 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporará novas tecnologias para o tratamento. A cirurgia de próstata assistida por robô foi incluída, e o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a realização de ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e crioblação. O HIFU utiliza ondas de ultrassom para destruir o tecido canceroso, enquanto a crioblação emprega um gás congelante para eliminar as células tumorais.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na Revista Tópicos em 2026, intitulado "CÂNCER DE PRÓSTATA NO BRASIL E A EFICÁCIA DO DIAGNÓSTICO POR IMAGEM", analisou a eficácia de modernas modalidades de diagnóstico por imagem e biópsia no cenário brasileiro. A pesquisa, baseada em dados do INCA e ensaios clínicos internacionais como PROMIS e PRECISION, constatou que a ressonância magnética multiparamétrica (mpMRI) e a estratificação PI-RADS revolucionaram o diagnóstico, reduzindo biópsias desnecessárias.

O estudo também aponta inovações como a ressonância biparamétrica (bpMRI) e o micro-ultrassom de 29 MHz como alternativas custo-efetivas para o SUS. Além disso, a transição para a biópsia transperineal com fusão de imagens demonstrou uma redução substancial nas complicações infecciosas, e o PET-CT com PSMA tem redefinido o estadiamento e a abordagem da recidiva bioquímica.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas