Câncer de endométrio: novas terapias prometem mais sobrevida e menos quimioterapia

Destaques
- •Novos tratamentos para câncer de endométrio apresentados em congresso europeu incluem imunoterapia isolada e um novo anticorpo conjugado.
- •Um estudo mostrou que o anticorpo conjugado sacituzumabe tirumotecana aumentou a sobrevida global para 19 meses em pacientes com doença avançada ou recorrente.
- •Pesquisas indicam a possibilidade de evitar quimioterapia em pacientes com tumores dMMR e a incorporação de novas terapias ao SUS está em avaliação.
Novas perspectivas de tratamento para o câncer de endométrio, um tumor ginecológico com taxas de incidência e mortalidade em expansão, foram apresentadas no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri. As pesquisas exploram desde o uso de imunoterapia sem quimioterapia até novas opções para pacientes com a doença que voltou ou avançou após tratamentos anteriores. O câncer de endométrio afeta a camada interna do útero, acometendo principalmente mulheres na pós-menopausa, e é o sexto tumor mais incidente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 9.650 novos casos estimados anualmente entre 2026 e 2028.
Novo anticorpo conjugado aumenta sobrevida em casos avançados
Um estudo de fase 3, o TroFuse-005, avaliou o sacituzumabe tirumotecana em mulheres cujo câncer de endométrio avançou ou voltou após tratamentos prévios. Este medicamento combina um anticorpo que reconhece alvos nas células tumorais com uma substância que atua contra elas, buscando direcionar o ataque ao tumor. A mediana de sobrevida global entre as pacientes tratadas com o medicamento foi de 19 meses, significativamente maior que os 12,1 meses observados em pacientes submetidas a outras terapias. A mediana de sobrevida livre de progressão também aumentou, passando de 3,9 para 7,2 meses.
Apesar dos resultados promissores, os efeitos adversos exigiram interrupção de dose em 44,5% das pacientes e redução em 29%. A estomatite foi um efeito comum (55%), mas, em sua maioria, manejável com ajustes de dose e medidas de suporte. Pesquisadores destacam que o estudo abre uma porta importante para o futuro, oferecendo uma nova terapia empolgante para o câncer endometrial avançado, com potencial para se tornar o novo padrão de tratamento.
Imunoterapia isolada pode dispensar quimioterapia em grupo específico
Outra pesquisa, o estudo KEYNOTE-C93, investigou o pembrolizumabe como tratamento inicial para pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente que apresentam deficiência no sistema de reparo do DNA (dMMR). Essa alteração genética favorece o acúmulo de erros nas células tumorais e pode aumentar a resposta a imunoterapias. O estudo comparou o pembrolizumabe isolado com a combinação de quimioterápicos (carboplatina e paclitaxel).
A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 38,2 meses com a imunoterapia, contra 8,4 meses com a quimioterapia. A duração das respostas foi notável, com a mediana ainda não alcançada no grupo do pembrolizumabe, sugerindo um controle prolongado da doença para parte das pacientes. No entanto, o estudo não comparou a monoterapia com a combinação quimioterapia-imunoterapia, e os dados de sobrevida global ainda são considerados imaturos.
Combinação com dostarlimabe mostra benefício duradouro
O estudo RUBY avaliou o dostarlimabe, outro imunoterápico, associado à quimioterapia em pacientes com câncer de endométrio avançado ou recorrente. Na população geral, a combinação reduziu em 31% o risco relativo de morte em comparação com a quimioterapia isolada, com uma mediana de sobrevida global de 44,6 meses contra 28,2 meses. Em pacientes com tumores dMMR ou alta instabilidade de microssatélites (MSI-H), a combinação demonstrou uma redução de 66% no risco relativo de morte e de 70% no risco de progressão da doença ou morte, após um acompanhamento mediano de 55,6 meses.
Uma análise adicional mostrou que 91,7% das pacientes que completaram dois anos vivas e sem progressão permaneceram assim até o quarto ano. No Brasil, a incorporação do dostarlimabe com quimioterapia ao SUS está em avaliação pela Conitec, com a Consulta Pública nº 104/2026 se encerrando em 26 de maio.
Matérias originais
- Como a imunoterapia está transformando o tratamento do câncer de endométrio · veja.abril.com.br



