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Agência Lupa: 87,3% das alegações de saúde checadas eram falsas

26 de outubro de 2026
Agência Lupa: 87,3% das alegações de saúde checadas eram falsas

Destaques

  • •Relatório da Agência Lupa aponta que quase nove em cada dez alegações sobre saúde analisadas entre 2017 e junho de 2026 foram classificadas como falsas.
  • •Estratégias comuns incluem falsa autoridade médica, uso de medo e distorção de estudos científicos, com destaque para desinformação sobre vacinas e diabetes.
  • •Plataformas são recomendadas a priorizar denúncias de falsas curas e interromper monetização de conteúdos enganosos, enquanto o público deve checar fontes e buscar orientação profissional.

Um levantamento realizado pela Agência Lupa, com base em 764 afirmações sobre saúde checadas entre 2017 e junho de 2026, revelou que 87,3% delas eram falsas. O relatório, intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde e produzido pelo Observatório Lupa com patrocínio da Afya, analisou 498 verificações de conteúdos virais ou potencialmente virais. Deste total, apenas 3,4% das afirmações foram consideradas verdadeiras.

As estratégias mais utilizadas para disseminar informações falsas incluíam o uso de falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,6% das alegações falsas, onde declarações inventadas eram atribuídas a profissionais reais ou falas eram retiradas de contexto. Outras táticas recorrentes foram o uso de medo e linguagem alarmista (17,1%), associando vacinas, tratamentos ou produtos a consequências graves, e a distorção de estudos e dados científicos (15,7%) para alterar seu significado.

Evolução da desinformação e temas recorrentes

Entre 2025 e junho de 2026, a exploração do medo se destacou, representando 33,8% das alegações falsas, a maior participação proporcional em um período analisado. Durante a pandemia de Covid-19, o tema dominou as verificações. Nos anos seguintes, ganharam espaço conteúdos que prometiam “desintoxicar” o organismo das vacinas e publicações sobre doenças como diabetes e câncer, além de nutrição.

A vacinação continuou sendo um alvo frequente da desinformação. Das 244 alegações sobre imunizantes examinadas no período total, 86,9% eram falsas. O relatório também apontou 18 verificações relacionadas ao uso comercial da desinformação, com 17 casos direcionando o público à compra de um produto ou serviço.

Diabetes e o apelo comercial

A diabetes foi a doença mais explorada em conteúdos falsos, aparecendo em sete das 18 verificações com apelo comercial. Essas publicações frequentemente prometiam controlar ou reverter a condição, dispensar o uso de insulina e outros medicamentos, ou permitir uma alimentação sem restrições. Para aumentar a credibilidade, os anúncios imitavam páginas jornalísticas e utilizavam indevidamente imagens de médicos e celebridades.

Recomendações e orientações

O documento recomenda que as plataformas digitais priorizem denúncias de falsas curas, interrompam a monetização de conteúdos com alegações terapêuticas falsas ou sem comprovação e suspendam anúncios de produtos que já foram alvo de alertas sanitários por órgãos como a Anvisa.

Para o público em geral, a orientação é conferir a origem das informações e redobrar a atenção quando uma suposta descoberta leva à venda de um produto. Antes de interromper medicamentos, substituir tratamentos ou deixar de se vacinar, a recomendação é buscar orientação profissional.

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