Câmara e Senado debatem governabilidade e anistia após eleições

Destaques
- •Líderes partidários na Câmara discutem estratégias para garantir governabilidade e oposição propositiva após as eleições.
- •Senador propõe anistia para condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Bolsonaro, em meio a articulações para a presidência do Senado.
- •Presidente Lula deve acelerar conversas sobre a composição do governo após retorno da COP, com foco em segurança pública e agenda legislativa.
Após o término das eleições, líderes partidários na Câmara dos Deputados voltaram suas atenentes para a governabilidade do país. Enquanto lideranças governistas buscam compor com outros partidos, a oposição defende uma postura propositiva. O vice-líder do PT, deputado Airton Faleiro (PT-PA), destacou que a expressiva vitória do presidente Lula confere maior peso às negociações, ressaltando a capacidade do presidente como negociador e o apoio da sociedade mobilizada.
O vice-líder do governo, deputado Bohn Gass (PT-RS), indicou a possibilidade de diálogo com deputados de direita, diferenciando-os da extrema-direita. Ele mencionou a proposta de emenda constitucional sobre segurança pública como um ponto de consenso, que visa dar ao governo federal um papel de coordenação dos esforços estaduais e municipais. O vice-líder do PL na Câmara, deputado Alberto Fraga (PL-DF), lembrou que a proposta de segurança pública já foi aprovada pelos deputados, mas pode ser alterada com a inclusão da redução da maioridade penal, o que exigiria nova análise pela Câmara. Fraga defendeu uma oposição responsável e expressou a expectativa de que os parlamentares que se opuseram à esquerda durante a campanha não se deixem corromper por cargos ou ministérios.
Negociações para a Presidência do Congresso
No Senado, o senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do presidente Lula e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), defendeu a anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Otto Alencar admitiu conversas sobre o tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e minimizou a proposta, afirmando que não é voltada especificamente para Bolsonaro, mas para todos os que respondem a processos desde aquela data. A discussão ocorre em um contexto de articulações para a reeleição de Alcolumbre na presidência da Casa, que busca votos de diferentes grupos políticos, incluindo a direita.
O líder da Oposição, Rogério Marinho (PL-RN), também articula sua candidatura à presidência do Senado. Aliados de Alcolumbre afirmam que ele tem dialogado com senadores de todos os partidos, pregando a pacificação. Uma possível saída para o impasse seria a aprovação de uma anistia, que necessitaria de sanção presidencial, ou um indulto presidencial. Otto Alencar enfatizou a necessidade de um esforço pela pacificação nacional e de reduzir a beligerância, resgatando o discurso de "Lula paz e amor".
Prioridades do Governo Lula e Composição Ministerial
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que as conversas sobre a nova composição do governo Lula devem se intensificar após o retorno do presidente da COP, evento previsto para ocorrer entre 9 e 20 de novembro. Edinho Silva indicou que Lula deve concluir o mandato atual com a equipe existente e iniciar o próximo com a posse de novos ministros, ressaltando a necessidade de uma transição organizada. Ele também mencionou que a segurança pública será uma das prioridades do quarto governo Lula, com a criação de um Ministério da Segurança Pública logo após a aprovação da PEC da Segurança. A proposta visa usar a estrutura de inteligência da Polícia Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União para rastrear o dinheiro do crime organizado e combater a criminalidade de forma articulada entre União, estados e municípios.
Quanto ao apoio do PT às presidências da Câmara e do Senado, Edinho Silva sinalizou que a tendência é o partido apoiar a recondução do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara. O dirigente mencionou que esse é o sentimento no partido, embora o apoio ainda não esteja formalmente fechado. Sobre a presidência do Senado, Edinho não comentou explicitamente o apoio.
Matérias originais
- Líderes de partidos defendem busca da governabilidade após as eleições · camara.leg.br
- Conversas sobre composição de Lula 4 devem se acelerar após COP, diz presidente do PT · g1.globo.com
- Aliado de Lula, presidente da CCJ defende anistia pelo 8 de janeiro e admite conversas com Alcolumbre · g1.globo.com



