Câmara debate política nacional de saúde mental e desenvolvimento socioemocional na educação básica

Destaques
- •Projeto de Lei 3118/26 visa instituir a Política Nacional de Saúde Mental, Desenvolvimento Socioemocional e Projeto de Vida na Educação Básica.
- •A proposta prevê programas de educação emocional, prevenção à violência e formação de educadores, com financiamento parcial de apostas de quota fixa.
- •O texto será analisado em caráter conclusivo por quatro comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para o Senado.
A deputada Renata Abreu (Pode-SP) apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3118/26, que institui a Política Nacional de Saúde Mental, Desenvolvimento Socioemocional e Projeto de Vida na Educação Básica. O objetivo é promover o desenvolvimento integral dos estudantes, fortalecer fatores de proteção e prevenir situações de sofrimento psíquico, como bullying, cyberbullying e automutilação nas escolas.
A parlamentar justifica a iniciativa pela necessidade de uma política nacional coordenada, uma vez que, segundo ela, "o cenário educacional brasileiro enfrenta um desafio que transcende o conteúdo programático tradicional". A ausência de uma política nacional coordenada, de acordo com a deputada, resulta em ações isoladas e descontinuadas, deixando redes de ensino desamparadas no manejo de conflitos e na identificação precoce de sofrimento emocional.
Ações propostas para as escolas
O texto prevê que os sistemas de ensino desenvolvam programas permanentes de educação emocional, iniciativas de prevenção à violência e estratégias para aproximação entre escola e família. Está prevista também a formação continuada de educadores para a identificação precoce de quadros de sofrimento emocional e o posterior encaminhamento dos casos a serviços especializados.
O Ministério da Educação poderá elaborar guias, protocolos e materiais pedagógicos para apoiar as redes de ensino. A proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para estabelecer expressamente que a educação básica promoverá o desenvolvimento integral do estudante em suas dimensões cognitiva, socioemocional, física, ética e cidadã.
Financiamento e monitoramento
Para custear as medidas, o projeto estabelece fontes de financiamento que incluem dotações orçamentárias próprias, recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), transferências voluntárias e 1% da arrecadação da União proveniente de apostas de quota fixa. A verba será direcionada prioritariamente para a formação de profissionais, a elaboração de material pedagógico e o apoio técnico aos sistemas de ensino.
A proposta cria ainda o Sistema Nacional de Monitoramento do Bem-Estar e Desenvolvimento Integral dos Estudantes e o Índice Nacional de Bem-Estar e Desenvolvimento Integral dos Estudantes (INBDI). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ficará responsável por calcular o índice e publicar relatórios nacionais a cada dois anos.
O indicador avaliará fatores como o sentimento de pertencimento, a percepção de segurança, a incidência de violência escolar e a qualidade das relações na comunidade escolar. O projeto proíbe o uso do índice para punição, ranking individual de estudantes ou qualquer forma de discriminação.
Tramitação e próximos passos
Renata Abreu afirma que o investimento em aspectos socioemocionais traz reflexos amplos para o país. "Não se trata apenas de educação, mas de um projeto de nação que visa reduzir a violência escolar e promover a cidadania ética no século 21", afirma.
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas seguintes comissões da Câmara: Saúde; Educação; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.
Matérias originais
- Projeto cria política de saúde mental na educação básica · camara.leg.br



