Câmara aprova lei para compartilhamento de postes; texto volta ao Senado

Destaques
- •Projeto de lei aprovado na Câmara altera regras para compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia e empresas de telecomunicações.
- •O texto define que a responsabilidade pela infraestrutura permanece com as distribuidoras, mas a gestão pode ser transferida a empresas especializadas ("posteiros") em caso de falhas.
- •A matéria agora retorna ao Senado para votação das alterações, enquanto Aneel e Anatel buscam consenso regulatório.
A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (4) um projeto de lei que modifica as regras para o compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia elétrica e empresas de telecomunicações. O texto, que já havia passado pelo Senado mas sofreu alterações, determina que a responsabilidade pela infraestrutura continue com as distribuidoras, mas permite a cessão da gestão a empresas especializadas, conhecidas como “posteiros”, caso sejam identificadas falhas na prestação do serviço.
O projeto agora retorna ao Senado, onde está sob relatoria do senador Esperidião Amin (PP-SC). A aprovação na Câmara ocorre em paralelo às discussões entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a regulamentação do tema, que necessita do aval de ambas para entrar em vigor.
Gestão e responsabilidade dos postes
Atualmente, os postes são de responsabilidade das companhias de energia elétrica, mas também são utilizados por serviços de telecomunicações. O regramento anterior era considerado falho, com ocupação muitas vezes desordenada e clandestina. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica estima que, dos 53 milhões de postes no Brasil, apenas 4.000 das 19.000 empresas de telecomunicações atuantes possuem contratos formais com as distribuidoras.
O texto aprovado na Câmara estabelece que a contratação de um “posteiro” não será obrigatória, mas a transferência da gestão se tornará necessária quando o desempenho das distribuidoras na administração da infraestrutura compartilhada for considerado inadequado. Essa mudança difere do decreto federal de 2024, que previa a cessão compulsória independentemente do desempenho.
Papel das agências reguladoras
Em casos de falhas nos serviços, a Anatel poderá propor a cessão obrigatória da gestão dos postes e iniciar uma chamada pública para selecionar a empresa que assumirá a infraestrutura. O projeto também removeu uma proibição do Senado que impedia a cessão a empresas do mesmo grupo econômico da distribuidora em casos de cessão opcional, mas manteve a proibição para cessões obrigatórias.
O avanço no Congresso acontece enquanto Aneel e Anatel enfrentam um impasse regulatório há anos. A Anatel aprovou em 2023 uma norma que obrigava as distribuidoras a cederem a exploração dos postes a terceiros. Contudo, a Aneel apresentou divergências, adiando a análise e entendendo que a cessão não deveria ser obrigatória. Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) em maio deste ano defendeu a obrigatoriedade da cessão a empresas sem ligação com as distribuidoras, reacendendo a disputa.
Posicionamento do setor e próximos passos
O setor de telecomunicações, representado por associações como Conexis Brasil Digital, Abrint, NEO e TelComp, celebrou a aprovação na Câmara como um “passo importante rumo a uma solução estrutural para um gargalo histórico e crítico”. As entidades cobram a rápida tramitação do projeto no Senado.
As reguladoras Aneel e Anatel ainda discutem um texto definitivo para uma resolução conjunta. Divergências persistem sobre a interpretação do decreto 12.068 de 2024, que trata da licitação e prorrogação de concessões de distribuição de energia. Enquanto a Anatel defende a cessão obrigatória para garantir isonomia e organização urbana, a Aneel interpreta que o decreto permite a escolha das empresas, sem obrigatoriedade de cessão a terceiros.
Matérias originais
- Câmara aprova PL sobre uso de postes após impasse de agências · poder360.com.br



