Cafeína: Aliada ou Vilã nos Estudos para o Enem?

Destaques
- •O consumo de cafeína, presente em cafés e energéticos, pode mascarar a fadiga e aumentar o estado de alerta, mas não melhora a aprendizagem ou a memória de forma significativa.
- •O excesso de cafeína pode levar a efeitos adversos como ansiedade, tremores, palpitações e prejudicar a qualidade do sono, essencial para a consolidação do aprendizado.
- •Especialistas recomendam evitar o uso de estimulantes para compensar noites mal dormidas ou experimentar doses maiores, priorizando sono, alimentação e hidratação para o Enem.
Com a proximidade do Enem 2026, muitos estudantes recorrem a cafés e bebidas energéticas na tentativa de prolongar os estudos e manter o foco. A cafeína, principal componente dessas bebidas, atua no sistema nervoso central, podendo aumentar temporariamente o estado de alerta, a atenção e o tempo de reação. No entanto, essa substância não aprimora a capacidade de aprendizagem ou a memória de forma substancial e não substitui o descanso, apenas mascara a sensação de sono e fadiga.
O nutricionista Thyago Nishino explica que a cafeína bloqueia os receptores de adenosina, um composto que gera a sensação de sono e cansaço. Ao impedir essa ação, a pessoa se sente mais desperta, mas o cansaço subjacente não é eliminado. Os efeitos da cafeína variam conforme a quantidade, a sensibilidade individual e os hábitos, podendo ajudar na atenção por um período, mas sem garantir melhor desempenho em tarefas complexas.
Excesso de cafeína pode prejudicar a concentração
O consumo elevado de cafeína pode gerar efeitos indesejados, como agitação, irritabilidade, ansiedade, tremores e dificuldade para dormir. O cardiologista Marcelo Bergamo alerta que a substância também pode causar alterações cardiovasculares, como aceleração dos batimentos cardíacos e aumento temporário da pressão arterial, dependendo da dose e da sensibilidade de cada um.
As bebidas energéticas merecem atenção especial, pois frequentemente contêm altas concentrações de cafeína e outros estimulantes. Essa combinação pode intensificar as respostas do organismo, especialmente em indivíduos já ansiosos. Bergamo ressalta que a ansiedade já libera hormônios como a adrenalina, que aumentam os batimentos cardíacos e a pressão. A adição de cafeína pode somar esses efeitos, por isso, ele recomenda evitar doses maiores do que o habitual, principalmente no dia da prova.
O impacto no sono e na aprendizagem
Utilizar cafeína para estudar durante a noite pode comprometer a preparação para o exame. A cafeína tem uma meia-vida de aproximadamente quatro a seis horas, o que significa que sua presença no organismo persiste por muitas horas após o consumo. O uso no fim da tarde ou à noite pode dificultar o início do sono e reduzir sua qualidade.
O sono é crucial para o processo de aprendizagem, pois é durante o descanso que o cérebro organiza e consolida as informações adquiridas. Nishino adverte que trocar horas de sono por cafeína pode ser uma estratégia contraproducente. Bergamo complementa que o excesso de estimulantes pode levar à insônia, agitação e prejudicar a atenção e o raciocínio no dia seguinte.
Sinais de consumo excessivo e recomendações
Sinais como palpitações, coração acelerado, tremores, suor excessivo, agitação, ansiedade, náuseas e dor de cabeça podem indicar consumo excessivo de cafeína. Em casos mais graves, podem ocorrer dor no peito, falta de ar, tontura intensa e sensação de desmaio, que exigem atendimento médico imediato.
Para os estudantes que farão o Enem, a orientação dos especialistas é clara: não usar café ou energético para compensar noites mal dormidas, nem experimentar doses maiores do que as habituais. A preparação ideal envolve sono adequado, alimentação equilibrada e hidratação contínua.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado em 2024 pela OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, intitulado "Principais causas e impactos da ingestão excessiva de cafeína por estudantes de graduação: uma revisão integrativa de literatura", analisou o consumo de cafeína por universitários. A pesquisa aponta que o consumo excessivo é frequentemente motivado pela busca por melhorias cognitivas, como redução da fadiga e aumento da concentração, visando a manutenção do desempenho acadêmico. No entanto, o estudo adverte que o uso em demasia pode levar a efeitos adversos agudos e crônicos, afetando negativamente a memória e o sono. A combinação da cafeína com outras substâncias, como álcool ou drogas, pode potencializar os riscos à saúde. Os autores destacam a necessidade de educação sobre os limites seguros e os riscos associados ao consumo excessivo de cafeína entre estudantes universitários.
Pesquisa citada
- Principais causas e impactos da ingestão excessiva de cafeína por estudantes de graduação: uma revisão integrativa de literatura
OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA · 2024
Matérias originais
- Enem 2026: café e energético não substituem o descanso na preparação · metropoles.com

