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C&A supera expectativas com lucro 145% maior; Méliuz tem queda na receita

05 de novembro de 2026
C&A supera expectativas com lucro 145% maior; Méliuz tem queda na receita

Destaques

  • •C&A registra salto de 145% no lucro líquido no 3T26, impulsionado por créditos fiscais e melhora na margem bruta de vestuário.
  • •Méliuz reporta queda de 22,3% na receita líquida no 3T26, afetada pela saída da Casas Bahia e mudanças na Amazon.
  • •Analistas mantêm recomendação de compra para ambas as varejistas, citando valuation atrativo e potencial de recuperação.

A C&A (CEAB3) divulgou um terceiro trimestre de 2026 (3T26) com lucro líquido de R$ 170,3 milhões, um salto de 145% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins, além de uma margem bruta de vestuário de 56%, beneficiada pela estratégia "Full Power" e contribuição cambial positiva.

As ações da varejista reagiram positivamente, liderando as altas do Ibovespa (IBOV). O Bradesco BBI destacou a superação das expectativas em um cenário desafiador, com vendas nas mesmas lojas (SSS) de vestuário em alta de 1,0% e forte geração de caixa livre de R$ 152 milhões. A XP Investimentos, apesar de considerar o balanço fraco, o viu como melhor do que o esperado, com atenção voltada para os estoques e a recuperação esperada para o quarto trimestre.

Méliuz enfrenta desaceleração operacional

Em contrapartida, o Méliuz (CASH3) reportou um terceiro trimestre de 2026 (3T26) com desaceleração operacional. A receita líquida caiu 22,3% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 96,1 milhões. O resultado ficou abaixo das expectativas, impactado pela interrupção da parceria com a Casas Bahia após seu pedido de recuperação judicial e pelas mudanças no programa de afiliados da Amazon.

O lucro líquido atingiu R$ 113,7 milhões, mas foi influenciado por efeitos não recorrentes, como reversão de perdas com bitcoin (BTC) e benefício fiscal. Desconsiderando esses fatores, o lucro líquido ajustado foi de R$ 19,6 milhões. O Ebitda ajustado somou R$ 17 milhões, com margem de 17,7%, uma queda de cerca de 39% na comparação anual.

Novas avenidas de negócio e estratégia de Bitcoin

Apesar dos desafios no e-commerce, onde o GMV da operação de shopping no Brasil recuou 3,3% e a receita de e-commerce caiu 35,3%, o Méliuz avança em suas novas linhas de negócio. A divisão "Beyond e-commerce", que inclui o Méliuz Nota Fiscal, cresceu 24% e já representa quase 29% da receita brasileira. A área de serviços financeiros também apresentou alta de 10% na receita bruta.

A estratégia de tesouraria baseada em bitcoin continua central. A companhia vendeu 78 bitcoins por R$ 29,4 milhões para financiar seu programa de recompra de ações. Ao final de setembro, a empresa detinha 526,7 bitcoins, avaliados em aproximadamente R$ 230 milhões. Analistas do BTG Pactual e UBS BB mantiveram recomendação de compra para as ações de ambas as empresas, citando valuation atrativo e potencial de crescimento.

Perspectivas e recomendações dos analistas

Para a C&A, o BTG Pactual mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 19, destacando a execução da empresa, a renovação de lojas e o foco em rentabilidade, além da remuneração aos acionistas. A varejista também viu seu canal digital crescer 27,6%.

No caso do Méliuz, o BTG Pactual recomenda compra com preço-alvo de R$ 7, vendo potencial de compensação pelas pressões recentes através do crescimento do Méliuz Nota Fiscal e novas parcerias financeiras. O UBS BB também manteve recomendação de compra para as ações de ambas as empresas, com preço-alvo de R$ 6 para o Méliuz, argumentando que os papéis negociam a níveis atrativos de valuation.

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