BTG Pactual avança na compra de carteiras do Banco de Brasília (BRB)

Destaques
- •BTG Pactual está adquirindo parte significativa dos ativos do Banco de Brasília (BRB), incluindo mais de 50% da carteira de crédito imobiliário.
- •As operações visam a prolongar a existência do BRB, que enfrenta dificuldades financeiras e teve pedido de empréstimo ao FGC negado.
- •O futuro do BRB ainda é incerto, com discussões sobre a criação de um novo banco de fomento e a possibilidade de liquidação caso não haja solução.
O BTG Pactual está avançando na compra de carteiras do Banco de Brasília (BRB), banco estatal do Distrito Federal. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, a instituição privada já adquiriu grande parte dos ativos do BRB, incluindo mais de 50% da carteira de crédito imobiliário. As operações, no entanto, não indicam uma mudança de controle, mas sim uma estratégia para ampliar a sobrevida da instituição pública.
Procurados, o BRB e o BTG Pactual afirmaram que não comentam as negociações. A situação financeira do Banco de Brasília é considerada crítica, com muitos clientes retirando recursos. A instituição está travada e, para piorar, muitos clientes retiraram recursos da instituição.
Ativos em negociação e a saúde do BRB
Além do crédito imobiliário, o BTG Pactual também teria interesse em outros ativos do BRB com lastro fiduciário, como imóveis, especialmente terrenos. Essas aquisições, que ocorrem há algum tempo, são vistas como uma boa oportunidade para o BTG devido aos descontos oferecidos pelo BRB. Essas negociações têm sido fundamentais para manter o Banco de Brasília com caixa suficiente para evitar a liquidação, um dos maiores temores da governadora Celina Leão.
O ritmo das compras pelo BTG Pactual diminuiu recentemente, o que pode ter sido causado por incertezas geradas com a eleição presidencial ou pela estratégia do BRB em ofertar condições mais vantajosas para atrair recursos. A avaliação de pessoas consultadas pela reportagem é de que o banco ainda não foi considerado insolvente devido à manutenção dos padrões de Basileia (regras de prudência bancária) e à presença de depósitos judiciais, estimados em cerca de R$ 30 bilhões.
Alternativas e pressões sobre o BRB
Uma nova empresa de fomento pode ser criada para administrar operações do Governo do Distrito Federal (GDF) que hoje são feitas pelo BRB. Essa nova entidade poderia gerenciar a estrutura de mobilidade, como o cartão de ônibus e metrô, e a área ligada ao microempreendedorismo. No entanto, a governadora Celina Leão ainda estuda alternativas e a decisão final ainda não foi tomada.
O governo do DF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar o BRB, mas não obteve o dinheiro, pois os bancos resistem em conceder a garantia. O Tesouro negou aval da União a um empréstimo devido ao rombo registrado no orçamento do Distrito Federal em 2025, que recebeu nota “C” de Capacidade de Pagamento (Capag).
A venda de ativos saudáveis pelo BRB visa a ganhar tempo, mas não soluciona o problema estrutural da instituição, deflagrado desde a tentativa de compra do Banco Master. O Distrito Federal pediu ao STF que o valor de R$ 2,245 bilhões em bens e contas bloqueadas do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, seja transferido integralmente para o BRB, reconhecendo o banco e o DF como vítimas das condutas investigadas.
Na semana passada, a Polícia Federal concluiu inquérito sobre irregularidades do Banco Master e indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao BRB.



