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BTG Pactual aposta em stablecoins para revolucionar transferências internacionais

30 de outubro de 2026
BTG Pactual aposta em stablecoins para revolucionar transferências internacionais

Destaques

  • •BTG Pactual vê stablecoins como o próximo grande avanço nos pagamentos, similar ao Pix, com potencial para tornar transferências internacionais mais rápidas e baratas.
  • •O banco já atua com ativos digitais desde 2017 e busca integrar a tecnologia blockchain e stablecoins à infraestrutura financeira tradicional, visando novas fontes de receita.
  • •O banco prepara novos anúncios sobre ativos digitais e tokenização nos próximos meses, com foco na integração com sistemas financeiros existentes.

O BTG Pactual acredita que as stablecoins, moedas digitais geralmente atreladas ao dólar, têm o potencial de transformar as transferências internacionais da mesma forma que o Pix revolucionou os pagamentos no Brasil. Segundo André Portilho, head de digital assets do banco, essas moedas digitais podem ganhar escala nos próximos três a cinco anos, tornando as movimentações de dinheiro entre países mais rápidas e baratas.

Portilho destacou que essa evolução é impulsionada pela convergência de três fatores: o amadurecimento da tecnologia, a regulamentação que permite a participação de grandes bancos e a crescente educação sobre o tema dentro das instituições financeiras. Ele ressaltou que a principal oportunidade reside em simplificar as transferências internacionais para os clientes, equiparando-as à facilidade dos pagamentos domésticos.

Oportunidades e desafios para os bancos

Apesar de reconhecer que os bancos podem ter que sacrificar parte das receitas de modelos de pagamentos tradicionais, Portilho vê um saldo positivo. Ele acredita que os bancos brasileiros têm “muito mais a ganhar do que a perder”, pois poderão alavancar a nova infraestrutura para desenvolver outras fontes de receita. O executivo afirmou que a geração de receita nova com essas tecnologias torna o negócio sustentável.

O BTG Pactual encerrou junho com R$ 930 bilhões em ativos totais, um crescimento de 14,9% em relação a dezembro de 2025. No entanto, a contribuição específica dos ativos digitais para os resultados ainda não é detalhada.

Histórico e iniciativas em ativos digitais

O interesse do BTG por ativos digitais começou há quase uma década, com operações de arbitragem em criptomoedas desde 2017. A estratégia evoluiu para outras aplicações da tecnologia blockchain, como a tokenização de ativos financeiros.

Uma iniciativa recente é a parceria com a CSD BR, infraestrutura autorizada para registro, depósito e liquidação de ativos financeiros. Na primeira fase, cotas de fundos de investimento do BTG serão tokenizadas e espelhadas no XRP Ledger, blockchain pública usada no projeto. Essa tecnologia servirá como camada adicional de consulta e auditoria para operações do mercado financeiro. A CSD BR informa ter mais de R$ 22 trilhões em ativos registrados.

Integração e próximos passos

Caso a primeira etapa seja bem-sucedida, a parceria poderá avançar para a emissão de ativos diretamente em blockchain e negociações entre participantes autorizados, incluindo instrumentos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA).

Markus Infanger, vice-presidente da RippleX, afirmou que a tokenização não substituirá os bancos tradicionais, mas sim se integrará a eles. Ele enfatizou a importância da colaboração com instituições financeiras estabelecidas para a adoção da nova infraestrutura. O BTG planeja novos anúncios sobre ativos digitais nos próximos meses, reforçando a aposta na integração de stablecoins e ativos tokenizados ao sistema financeiro tradicional.

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