BTG Pactual ajusta carteira de dividendos com entrada de Caixa Seguridade, Vivo e Ultrapar

Destaques
- •BTG Pactual atualiza carteira recomendada de dividendos para novembro, adicionando Caixa Seguridade, Vivo e Ultrapar.
- •Ultrapar é destacada por potencial de dividendos extraordinários de R$ 2 bilhões em 2026, enquanto Caixa Seguridade e Vivo são valorizadas por previsibilidade e geração de caixa.
- •A carteira busca ativos com previsibilidade de resultados e forte geração de caixa em cenário de juros altos, após queda em outubro.
O BTG Pactual anunciou nesta segunda-feira (ou data de publicação) a sua nova carteira recomendada de ações para o recebimento de dividendos referente a novembro. A seleção promove a entrada de três novas companhias: Caixa Seguridade (CXSE3), Vivo (VIVT3) e Ultrapar (UGPA3). Em contrapartida, as ações de B3 (B3SA3), Compass (PASS3) e Cury (CURY3) foram retiradas da lista. A estratégia do banco de investimento se mantém focada em ativos que demonstram previsibilidade de resultados, forte capacidade de geração de caixa e consistência na distribuição de proventos, características essenciais em um cenário de juros elevados.
Motivos para as novas entradas e potencial de dividendos
A Ultrapar surge como um dos principais atrativos da nova carteira, com analistas do BTG identificando um gatilho para a distribuição de dividendos extraordinários. A expectativa é que a companhia possa anunciar a distribuição de cerca de R$ 2 bilhões referentes ao segundo semestre de 2026, o que representaria aproximadamente 6% de seu valor de mercado. Essa distribuição pode ocorrer em dezembro ou ser comunicada junto aos resultados do quarto trimestre de 2026, em fevereiro.
A Caixa Seguridade foi incluída por sua combinação de crescimento previsível de lucro e dividendos atrativos. O banco destaca que os seguros de longo prazo contribuem para a estabilização dos resultados, enquanto o crédito imobiliário e a expansão das reservas de previdência sustentam a operação. Para 2027, o BTG projeta um crescimento de 10% no lucro líquido e um retorno em dividendos próximo de 7%.
A Vivo integra a carteira com base na recorrência de suas receitas, na sólida geração de caixa e na remuneração aos acionistas. A empresa se destaca pela liderança no mercado móvel, expansão da infraestrutura de fibra ótica e avanço em serviços digitais.
Avaliação da Ultrapar e outras ações mantidas
No caso da Ultrapar, os papéis negociam a cerca de 8,8 vezes o lucro estimado para 2027, um patamar considerado atrativo pelo BTG e inferior à média histórica de aproximadamente 11,5 vezes dos últimos cinco anos. O banco espera resultados robustos da Ipiranga nos próximos trimestres, com margens elevadas, e avalia que o potencial fim dos subsídios ao diesel já está precificado.
A carteira de dez ações mantém Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4) com os maiores pesos, cada uma representando 15% do portfólio. O Itaú é visto como a preferência do BTG entre os grandes bancos, com destaque para sua gestão de riscos e solidez. Para a Petrobras, a avaliação é que a estratégia da companhia permanecerá estável, com produção elevada e custos de extração menores, independentemente do cenário político.
Outras ações mantidas incluem Vale (VALE3), que combina disciplina de investimentos e oportunidades em metais básicos, mas com limitações para dividendos extraordinários. A Sabesp (SBSP3) continua sendo uma preferência devido ao potencial de crescimento e ganhos de eficiência pós-privatização. A carteira completa inclui ainda Copel (CPLE3), Axia Energia (AXIA3) e Allos (ALOS3).
Desempenho recente e cenário
Em outubro, a carteira de dividendos do BTG registrou uma queda de 11%, acompanhando o desempenho do Índice Dividendos (IDIV) e do Ibovespa, que recuaram 9,9% e 9,88%, respectivamente. No acumulado de 2026, a carteira apresenta alta de 2,6%, contra 2% do IDIV. Desde o início da estratégia, em novembro de 2019, o retorno acumulado é de 132,5%.



