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Brecha crítica no OpenSSH permite login sem senha em sistemas Linux

05 de novembro de 2026
Brecha crítica no OpenSSH permite login sem senha em sistemas Linux

Destaques

  • •Vulnerabilidade 'sshole' descoberta no OpenSSH e musl C possibilita acesso não autorizado a contas Linux.
  • •A falha, existente desde 2016, afeta distribuições como Alpine Linux sob configurações específicas.
  • •Atualizações de segurança já foram liberadas pelo OpenSSH e Alpine Linux para corrigir o problema.

Uma grave vulnerabilidade de segurança, batizada de “sshole”, foi descoberta no software livre OpenSSH e na biblioteca musl C, permitindo que invasores façam login em contas de sistemas Linux que deveriam ter o acesso por senha bloqueado. A falha, que existe desde 2016, foi detalhada pelo pesquisador de segurança Ozgun Kultekin e afeta distribuições como Alpine Linux, OpenWrt, Buildroot e Yocto sob configurações específicas.

A vulnerabilidade surge da maneira como o OpenSSH gerencia erros na verificação de senhas em sistemas que utilizam a biblioteca musl C. Normalmente, em sistemas Linux, contas podem ter o login por senha bloqueado quando o administrador substitui o hash da senha por um asterisco (*) no arquivo de configuração do sistema. Como o asterisco não é um caractere válido para um hash de senha, nenhum texto inserido deveria permitir o acesso. No entanto, uma alteração no OpenSSH em 2016, feita para corrigir uma falha de enumeração de nomes de usuário, alterou esse comportamento. O software passou a processar a função de hash mesmo quando a conta não possuía um hash válido, visando igualar o tempo de resposta do servidor e dificultar a identificação de usuários legítimos.

Como a falha é explorada

O problema ocorre porque a função da musl C retorna um caractere asterisco quando o processamento da senha falha, o que acontece se a senha enviada ultrapassa o limite de 256 bytes. Com isso, o OpenSSH compara o resultado gerado com a operação armazenada no sistema, valida a entrada e autoriza o acesso. A exploração da vulnerabilidade exige condições específicas no servidor, como o uso do OpenSSH em um sistema baseado em musl, desativação da autenticação por Módulos de Autenticação Conectáveis (PAM), ativação da autenticação por senha e a existência de contas configuradas com um asterisco no lugar do hash da senha.

O pesquisador Ozgun Kultekin relatou ter utilizado inteligência artificial para identificar a falha, submetendo milhares de logins com características incomuns ao OpenSSH. Ele descreveu a falha como uma brincadeira, afirmando que em distribuições como o Alpine Linux, digitar entre 257 e 1024 caracteres de qualquer coisa poderia conceder acesso root.

Riscos e sistemas afetados

A vulnerabilidade apresenta riscos significativos, especialmente para imagens oficiais de nuvem do Alpine Linux em plataformas como Amazon Web Services e Microsoft Azure. Essas imagens frequentemente possuem uma conta padrão chamada “Alpine” com privilégios de administrador, que pode ser acessada sem senha através da exploração da falha, concedendo acesso total ao sistema. Por outro lado, sistemas que utilizam a biblioteca glibc, como Debian, Ubuntu e Fedora, ou que empregam o módulo PAM de autenticação, não são afetados pela vulnerabilidade, conforme alertou o pesquisador.

Correção e recomendações

O projeto Alpine Linux e os desenvolvedores do OpenSSH já liberaram atualizações de segurança para solucionar o problema. A correção está disponível na versão 10.6p2 do OpenSSH. Ozgun Kultekin recomenda que administradores de sistemas afetados atualizem os pacotes imediatamente através do gerenciador do sistema. Caso a aplicação do patch não seja possível de imediato, a alternativa é desativar completamente a autenticação por senha no arquivo de configuração do servidor. O comunicado oficial da equipe do Alpine Linux reforça a necessidade de priorizar a atualização dos pacotes OpenSSH para mitigar os riscos.

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