Braskem divulga projeções e propostas de reestruturação de dívida

Destaques
- •Braskem tornou públicas informações financeiras e projeções até 2035, após negociações com credores não resultarem em acordo.
- •A petroquímica busca reestruturar US$ 10,9 bilhões em créditos financeiros sem garantia, com prazos estendidos até outubro de 2026.
- •XP Investimentos colocou a empresa sob revisão, aguardando maior clareza sobre os termos finais da reestruturação.
A Braskem (BRKM5) divulgou ao mercado informações não públicas que haviam sido compartilhadas com determinados investidores no âmbito das negociações de recuperação extrajudicial. Os materiais incluem seu plano de negócios atualizado, projeções financeiras detalhadas e as propostas mais recentes para a reestruturação de sua dívida, que totaliza cerca de US$ 10,9 bilhões em créditos financeiros sem garantia. O pedido de recuperação extrajudicial foi protocolado em 24 de agosto.
As informações, entregues a titulares e gestores de investimentos de notas seniores e debêntures entre agosto e outubro, foram tornadas públicas devido a acordos de confidencialidade. Apesar das diversas reuniões realizadas com acionistas e investidores, nenhuma das propostas foi aceita e ainda não há um acordo sobre os termos da reestruturação. A companhia, no entanto, afirmou que continuará as negociações com os credores financeiros para cumprir o marco previsto no protocolo de negociação, que foi prorrogado para 30 de outubro de 2026.
Detalhes das Projeções e Propostas
Os materiais divulgados pela Braskem contêm projeções sobre preços, volumes, consumo e fornecimento de matéria-prima, custos, produção, taxa de utilização e indicadores financeiros até o ano de 2035. A empresa protocolou o pedido de recuperação extrajudicial com cerca de US$ 10,9 bilhões em créditos financeiros sem garantia.
A XP Investimentos colocou a Braskem sob revisão, suspendendo suas recomendações, preços-alvo e estimativas anteriores. Os analistas destacam que a companhia, seus principais acionistas e um grupo ad hoc de credores ainda não chegaram a um acordo sobre os termos da reestruturação, com o prazo para definição estendido para 30 de outubro. A Braskem tem até 22 de novembro, 90 dias após o protocolo, para obter o apoio necessário dos credores para aprovação judicial.
As propostas mais recentes divergem em relação ao montante e cronograma de injeção de capital, preço de conversão da dívida em ações e termos da dívida remanescente. Diante das incertezas, a XP retirou suas estimativas e avaliação das ações até que haja maior clareza.
Divergências nas Propostas de Reestruturação
A Braskem propõe uma oferta de direitos de subscrição de US$ 2,25 bilhões, com desconto de 20% sobre o preço de mercado. Os principais acionistas ou terceiros garantiriam US$ 1,2 bilhão dessa oferta, com desembolso em duas parcelas. Um aporte adicional de até US$ 0,5 bilhão poderia ocorrer em junho de 2029, condicionado à alavancagem líquida. Entre US$ 3,3 bilhões e US$ 3,8 bilhões da dívida seriam convertidos em ações ao preço de mercado, com cerca de US$ 2,8 bilhões convertidos no fechamento da operação. Os 71% restantes dos créditos, aproximadamente US$ 6,8 bilhões, seriam convertidos em dívida garantida, com remuneração 125 bps acima da taxa média atual.
Por outro lado, o grupo ad hoc de credores propõe a mesma oferta de direitos de subscrição de US$ 2,25 bilhões, mas com US$ 1,85 bilhão garantidos e integralmente desembolsados no fechamento. A conversão de dívida em ações ocorreria a R$ 2,00 por ação, com outros US$ 450 milhões transformados em dívida conversível. Até US$ 2,3 bilhões da dívida seriam convertidos em patrimônio, enquanto os cerca de US$ 7,3 bilhões restantes se tornariam dívida garantida, com custo médio de aproximadamente 8,5%.



