Brasileiros buscam mais mudar para EUA após eleição e saída de Bolsonaro

Destaques
- •Escritórios de imigração e negócios internacionais registram aumento expressivo nas consultas sobre mudança para os Estados Unidos após a reeleição de Lula.
- •O visto EB-2 NIW, para profissionais qualificados sem necessidade de oferta de emprego, é o mais procurado, seguido pelo EB-1A (habilidades extraordinárias) e EB-5 (investidores).
- •Além dos EUA, Portugal e Paraguai também registram aumento no interesse de brasileiros que buscam diversificar patrimônio ou residência.
Escritórios de imigração e negócios internacionais relatam um aumento significativo na procura por informações sobre mudança para os Estados Unidos após a reeleição do presidente Lula. Especialistas observam uma intensificação mais longa do interesse em deixar o Brasil, diferentemente de anos anteriores, quando o pico de buscas diminuía após as primeiras 24 horas do resultado eleitoral.
Alexandre Piquet, sócio-fundador da Piquet Law Firm P.A., em Miami, registrou 724 consultas no dia seguinte ao resultado eleitoral, um número consideravelmente acima da média mensal de 500 a 600 contatos na área migratória. O ritmo de solicitações continua alto, com 420 novas mensagens registradas em uma única sexta-feira. Piquet atribui essa demanda crescente à repercussão da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e à cobertura da imprensa, afirmando que a procura está em uma "curva ascendente".
Vistos e perfis dos interessados
Entre os interessados, profissionais qualificados se destacam, com o visto EB-2 NIW sendo o caminho mais indicado. Este visto é voltado para profissionais com formação, experiência e trajetória qualificadas, que não precisam de oferta de emprego ou investimento, mas sim de um histórico sólido comprovado por critérios como artigos publicados e cartas de recomendação. Em seguida, aparecem o visto EB-1A, para pessoas com habilidades extraordinárias, e o EB-5, para investidores com um aporte de US$ 800 mil.
O escritório de Piquet também recebe consultas sobre expansão de negócios, exportação, imóveis e outras formas de investimento nos Estados Unidos. Muitos empresários buscam faturar em dólar e expandir operações sem encerrar a atividade no Brasil, aproveitando a alta da moeda americana.
Mudança no perfil dos solicitantes
O advogado Daniel Toledo, fundador da Toledo e Associados, também confirma o aumento nas consultas. Ele observa uma mudança no perfil dos interessados em comparação com eleições anteriores. Além de empresários e profissionais qualificados, o escritório tem recebido mais contatos de trabalhadores assalariados e pessoas de renda mais baixa, buscando vagas em atividades operacionais, agricultura, transporte e serviços.
Toledo explica que a diferença salarial entre os países, a desvalorização do real e as dificuldades econômicas brasileiras impulsionam esse interesse. No entanto, ele ressalta que ganhar em dólar não garante automaticamente maior poder de compra, sendo necessário considerar custos como moradia, alimentação e impostos nos EUA. A obtenção de um visto depende dos requisitos de cada categoria migratória e, em alguns casos, de oferta de emprego e patrocínio de uma empresa americana.
Outros destinos procurados
Além dos Estados Unidos, Portugal e Paraguai também atraem o interesse de brasileiros. Em Portugal, a demanda por diversificação patrimonial e mudança aumentou 70% semanalmente após a eleição, segundo Marcelo Rubin Goldschmidt, da GMZ Advisors. No Paraguai, as buscas pelo termo "como morar no Paraguai" cresceram 1.700% no Google Trends após o resultado do segundo turno, indicando um interesse expressivo pelo país.



