Brasil lidera na América Latina em vítimas de ransomware, aponta relatório

Destaques
- •Relatório da Trellix revela aumento de 4,7% nas detecções de ransomware e crescimento no uso de IA por criminosos.
- •Brasil registrou 102 publicações de vítimas em sites de vazamento de dados, liderando a América Latina.
- •Especialistas recomendam investimento em medidas preventivas e defesa em profundidade para combater as ameaças.
O Brasil se destacou como o país com o maior número de vítimas de ransomware na América Latina, registrando 102 publicações em sites de vazamento de dados entre abril e setembro deste ano. O dado integra o Relatório de Ameaças Cibernéticas de novembro de 2026, da Trellix, que monitorou 5.505 publicações globais atribuídas a 124 grupos de criminosos. A América Latina como um todo representou 8,3% das vítimas mundiais.
A telemetria da Trellix também identificou mais de 2,2 milhões de detecções relacionadas a ransomware em 775 campanhas, um aumento de 4,7% em comparação com o período anterior. Para Rodrigo Buosi, country manager da Trellix no Brasil, a posição do país reforça a necessidade de as organizações investirem em medidas preventivas. Ele aponta que criminosos exploram vulnerabilidades conhecidas, credenciais comprometidas e relações de confiança com fornecedores para realizar os ataques.
Ataques a ferramentas de segurança
O relatório aponta uma tendência preocupante: grupos de ransomware estão cada vez mais visando as próprias ferramentas de segurança para neutralizar mecanismos de proteção antes de executar os ataques. Das 94 campanhas analisadas nesse aspecto, 40 tentaram desativar ou modificar soluções de segurança. Em 14 delas, foram identificados recursos específicos para neutralizar soluções de detecção e resposta em endpoints (EDR) ou explorar drivers vulneráveis.
Esse comportamento sugere que a eficácia da proteção não se resume apenas à capacidade de detectar ameaças, mas também à resistência dos próprios mecanismos de segurança contra tentativas de desativação. A segurança cibernética exige, portanto, uma abordagem que considere a robustez das defesas.
Inteligência Artificial e ataques à cadeia de suprimentos em alta
A inteligência artificial (IA) e os grandes modelos de linguagem (LLMs) dobraram sua participação nas campanhas analisadas, saltando de 5,3% para 10,4%. Paralelamente, os ataques à cadeia de suprimentos de software cresceram de 9,1% para 11,9%. Nesse modelo de ofensiva, os criminosos exploram fornecedores, ferramentas e processos de desenvolvimento para comprometer sistemas de organizações conectadas.
O risco é agravado pela exploração de vulnerabilidades conhecidas que já possuem correções disponíveis, mas que permanecem sem aplicação em sistemas corporativos. O Trellix Advanced Research Center identificou agentes de IA e malwares autônomos capazes de executar múltiplas etapas de uma invasão com mínima supervisão humana. Isso indica que o uso criminoso da IA vai além da criação de e-mails de phishing, alcançando diversas fases de operações cibernéticas.
Recomendações e próximos passos
Diante do cenário de ameaças em evolução, a Trellix defende que as organizações combinem práticas básicas de segurança, como a correção de vulnerabilidades e a proteção de credenciais, com estratégias de defesa em profundidade. O uso de IA nas operações de segurança também é apontado como um recurso essencial para acompanhar a velocidade e a capacidade de adaptação dos ataques cibernéticos.
O relatório completo, que detalha a metodologia baseada em telemetria de soluções de segurança, fontes abertas e dark web, está disponível no site da Trellix. As informações processadas pelas plataformas Trellix Insights e Trellix ATLAS utilizam aprendizado de máquina e análise especializada para identificar correlações entre métodos de ataque, setores e regiões.



